Mostrando postagens com marcador água. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador água. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de julho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Eu e Água - Eu -> Água



Essa canção exprime muito do que tem sido estes dias, aqui dentro... pela emoção que causa e pela sua conexão metafórica.

4 Luas e a experimentação da Água.

Uma noite longa com sonhos, daqueles que você julga especial, porque de uma forma ou de outra há uma espécie de encantamento, um sentimento, um laço de lembrança do mundo invisível.

Algo mágico, seres mágicos que surgem do canto e enfeitiçam a mente e alimentam a intuição.

Sonhar com um boto pode despertar uma certa curiosidade em uma bióloga que nunca foi apegada aos cetaceos, apesar de sua imensa admiração e afeto por esses graciosos seres.

Mas sempre conheci biólogas super afinadas com eles!

Eu por minha vez, curtia tudo, especialmente a relação dos seres, o sistema!

sem esquecer que a beleza de cada relação, do micro ao macro, que é tão peculiar, mas também obedece uma cascata de eventos que se repetem nos seus diversos níveis fenomenológicos... e sendo caóticos ao mesmo tempo, um caos que impulsiona a criação ininterrupta de novas formas... pô cada coisa de cair o queixo, isso da natureza das coisas!!

E nisso... de natureza.. eu uso até para interpretar os sonhos..rs

Se sonho com gatos ou com um felino - outro ser qualquer... relaciono as habilidades do felino e como se comportam enfim, sua natureza... levo essa reflexão para o meu cotidiano, interior e externo a mim...

Isso pode ser com sapos, aranhas, pássaros, besouros, plantas, seja lá o que for, estudo sua natureza para interpretar, como arquétipos mesmo!

No mínimo construo relações interessantes.

Quando sonhei com o boto, tentei estudar um pouco a fundo, mas por conta da demanda de coisas a pensar... fiquei na camada superficial, porém o caos fez com que as relações se revelassem no tempo.

Dias depois e uma noite fria, ¨congelante¨ eu diria! - Amigos, fogueira e uma professora, uma mensageira da natureza, conduzindo o conhecimento nos meus fluxos hídricos; ela percorre os rios do meu interior, desobstruindo as barragens...

Ao passo que liberto o fluxo, energia circula!

E o que vem a seguir é pura magia!

Uma lua após o sonho fui convidada à fazer um trabalho de campo com alunos de uma escola particular em duas ilhas... ¨que chato, meu escritório é o mato...rs¨ - Cananéia e Ilha do Cardoso, me voi :)

Tenho buscado um reencontro comigo, dia a dia! Um reencontro com aquilo que acredito que pulsa aqui dentro e portanto, tenho encontrado!

Contudo a essência questionadora e minimamente rebelde tem sacudido as estruturas... algo da natureza! devem ser os lobos dentro de mim...

Com natureza e tudo, lá estava eu me envolvendo nas manifestações que estão pipocando por aí, na verdade algo que sei que tenho desejado à muito nas profundezas de meu ser e que por isso, é claro que o universo escultou; porque se você pede, olha.. vou te dizer uma coisa ... acontece, talvez não da maneira que você queira, mas acontece fih.

A construção de uma hidrelétrica num lugar que precisa ser cuidado como um precioso santuário ecológico de funções essenciais ao planeta, pô! - me diz se não é para ficar muito incomodado?

Fui lá gritar, tenho saído à gritar, existem várias maneiras de você tentar participar da construção do seu mundo, um deles, certamente é gritando!!! só que.. não deve parar por aí né! nem ficar gritando sem parar..rs

E daí que de incomodada a gritar - para agente de ação à construir... pode ser um pulo e, lá vou eu fazer bolinho com um povo que acredita que se juntar... pode dar um caldo!

Muito bem, porque tem é chão de estória...

Certo e com isso, lá vou estudar o que está no centro e nas bordas dessa história e conectar pessoas.. ações, porém com um detalhe - o tempo, a falta dele!

Tinha apenas uma Lua para isso, e era cheia com eclipse e tudo! Ah e tinham as ilhas e tinham os botos cinzas, como no sonho!

Primeiro dia em Cananéia e a história da cidade me fez ter a seguinte inspiração:

¨Cada vez que o homem tentou controlar a natureza de um rio, de todos os rios que conheço, de tudo que me lembro... o homem sempre se deu muito mau...¨

Deixou de ser um importantíssimo porto para o país graças ao desenvolvimentismo apressado que insiste reinar nessa nação - herança da nossa colonização..

Tentaram mudar a natureza do estuário e evidentemente, a água não obedeceu! ei, o/ isso de que a água tem sua natureza, é sério viu?!

O tal porto? ficou impraticável.. não tem quem navegue na areia, isso de assorear acontece também, viu?

Eu, no meio daquela história úmida, não perdi a deixa de debater com os jovens a relação do que seria Belo Monte, do que foi Itaipu e do que é Cananéia... São Francisco, Tietê, Tamanduateí, Anhagabaú, Pinheiros.. enfim, disso de controlar a natureza da água!

N´outro dia, atravessar o mar -> Ilha do Cardoso!!!

Uma ilha, um dia:

* Costão rochoso e suas peculiaridades e as marés e a Lua - Cheia!

* Restinga e a função das bordas, zonas de amortecimento, de como um ecossistema ajuda outro, suas importantes interações!

* Mata de encosta, nem preciso dizer que mata atlântica é um vislumbre de beleza e riqueza, seja de formas de vida, seja da rede intricada com os fatores abióticos, olha.. tem é coisa para aprender nisso!

* Manguezal! daí gente é terreno de criação, o berçário da vida. Lugar abençoado pela água!
- E aqui, vale comentar que mergulhar a cintura dentro do lamaçal de odor não tanto agradável.. foi algo que, caramba!! como vale a pena :-) todo mundo deveria brincar no manguezal um dia!!!

* Praia, é claro! afinal, o que os jovens mais queriam depois do atoleiro era praia e graças aos céus!! -> anil, sem nuvens e o re-querido sol, presente! ufa
ah... e praia gente.. ecossistema também, vamos estudar!

no final, olhaaa!! botos

Tentei entender mais uma vez, a relação daquilo tudo? Mas calma, ainda é alimento.

Pego o barco com um sorriso no rosto e no coração, lá na proa, olho o céu, busco a lua, afinal ainda tem o eclipse!

Somente a encontrei após ter desembarcado em Cananéia, quando um aluno apontou o dedo no sentido da Ilha Comprida e disse:

¨A Lua!!¨

e no instante que olhei o eclipse acabava por escondê-la de vez, foi em fração de segundos, como num click - da prata ao breu!

Deixei os jovens à tomar banho e corri para a beira do estuário, tinha um tempo livre para apreciar o fenômeno!

Encostada num cercado, noite escura, vento suave no rosto, cheiro de água (quem disse que água não tem cheiro?!) olhar focado no azul! Cadê a lua?

Por alguns curtos momentos, o brilho prateado em algumas nuvens desenhavam o céu com suas formas, e denunciava sua esperada aparição, mas era como um jogo de esconde... e de repente, escuridão total outra vez!

Um pouco mais de sombra e começam a cantar as águas, olhei em frente e percebi a agitação repentina de suas ondas! Foi o som quem revelou!

Ao passo que questionava o movimento, mirei o azul e eis que cintila no céu a prata!! - O brilho do sol refletido pela Lua.

Instantaneamente o aprendizado, Lua e Água, suas relações, marés, emoções, daí que de emoção.. arrepiou mesmo!

E participei de todo o desvendar-se da lua com um sentimento de relação profunda, da lua em mim, eu = água.

Outra noite inspirada de estudo de si e de estudo da natureza, afinal com tudo isso, estava eu conectada à net mais outra madrugada, trabalhando duro para fazer valer o meu grito!

E eis que chega a poesia, e eu? Deveria saber que nunca se deve desperdiçar uma poesia, afinal a mesma inspiração pode não mais aparecer outro dia...

Três dias de viagem, três horas de sono por dia, deve haver uma relação numerológica nisso tudo além da pura loucura...

No terceiro dia, conhecimento tradicional com quilombolas do vale do ribeira (local amado) e uma pérola que apesar de não ter a ver com água, sinto ser necessário imortalizar o momento!

O Sr. José, um dos líderes quilombolas da comunidade, me respondeu o seguinte, após questioná-lo se ele haveria, algum dia, escalado até o pico daquela montanha alta e íngreme?

- ¨Eu nunca fui não, fui naquela menor, que tá na frente. Mas tem umas pessoas aqui da comunidade que já foram, é meio longe né?!¨

- ¨Mas dizem os antigos da região que aquela montanha é um vulcão adormecido!¨

- ¨É sim! eles dizem que ele está adormecido porque aqui na região tem muitas formigas e tatus!¨

- ?? ann

- ¨É porque esses bichos furam a terra, sabe?¨

- kkkkkkkkk e a montanha respira?

- ¨Isso mesmo!¨

Meu??, fala sério né?! que história linda e engraçadíssima!!! eu me contorcia em gargalhadas e ele me acompanhava! foi delicioso!!!

Voltei para casa e mergulhei na agenda, nos artigos, matérias, vídeos, histórias - florestas, xingú, índios, energia, política...

A magia da água permaneceu e continua fluindo nestes meus dias, como sinais, como símbolos, como mensagens!

Engraçado que há uns dois meses atrás eu disse para o meu orientador no Instituto de Botânica, que ainda não tinha decidido qual seria o tema da minha tese de mestrado, mas que eu queria relacionar a biodiversidade vegetal como um elemento que proporcionasse resiliência nas águas dos sistemas agroflorestais... precisava criar um tema que coubesse à linha de pesquisa do instituto... é claro que o nível da pergunta ainda não era esse... ainda estava verde, precisando amadurecer!

E eu, a esperar a tal inspiração!

E com o minguar da Lua e Eu a minguar meu ciclo junto ao solstício de inverno... optei por casa, estudos de água. Estudos de dentro para fora e de fora para dentro, e nem imaginava que as águas ainda iriam me alimentar. Feriado prolongado, dedicação ao elemento e um domingo de chuva em pleno inverno, mais água!

E pela dedicação aos estudos, ganhei esta frase de presente a partir de um vídeo, que está no post anterior a esse: ¨Quando as árvores abandonam a terra a água também se vai embora.¨

Meio do dia e eu a atravessar a passarela aqui perto de casa, coisa que faço sempre... atravessar o rio, porém sempre mirando-o, afinal apesar dos pesares ele é um rio e portanto tem muito a me ensinar... e então, outro insight relativo à sua natureza.

¨A água é um elemento de memória, conduz e distribui, portanto a água é mensageira da memória - de toda a memória.¨

Daí que uma rede de aprendizados foi desenhada. Recordei de um aprendizado que tive com água há uns anos atrás, em um Igarapé de Rondônia, ao olhar atentamente para seu brilho e fluidez entre meus dedos, inspirei:


¨A água que corre agora pela superfície do meu corpo, que circula entre meus dedos.. já foi folha, já virou nuvem, já gestou um ser, foi outro ser, já esteve em mim e já foi minhoca, conheceu as profundezas da terra e voou no ar. Quanto tempo ela já vive na terra, compartilhando de tudo que nela vive? Caramba, eu posso saber o que é ser mineral e o que é ser nuvem e o que é ser folha, flor, fruta, semente, e conhecer da vida de qualquer outro ser vivo deste planeta ao passo que bebo água, porque sua natureza é a memória!! E todos podem experimentar o que é ser eu, na mesma gota d´água!"

¨A água cria em Nós, Unidade!¨

-------------------------------------------------------------------------------------------------

E para expandir a teia, que de Lua e Água e Feminino há especial afinação... e nesse campo, ampliando o aprendizado junto com outras mulheres num circulo, fui à um espetáculo que fala de feminino, de lua, de água, de magia! -> alimentos, mais alimentos!

Hoje, muito embora a chuva tenha cessado lá fora, ela ainda está a cantar aqui dentro! E foi esta canção que inspirou essa imagem:

¨Eu e Água - Eu -> Água¨

E foi dessa imagem que se formou a resposta que eu procurava:

¨A importância da Biodiversidade Vegetal na resiliência hídrica dos sistemas Agroflorestais¨

o caminho acadêmico deve ser por aqui... estou aberta para aprender com os rios, os diversos tipos que existem na superfície, no subterrâneo, na atmosfera, dentro da gente! Por isso, esta resposta ainda pode mutar porque nada é estável, já diria a água!

e tenho que dizer que esse é uma das lentes que usei para experimentar a água em mim, porque houveram outras, mas daí.. já seria um livro... e isso é um post.. apesar do tamanho..

Se eu tivesse dado vazão à poesia, essa estória seria rima!

Quanto ao Xingú, ah.. esse ainda tem (hi)estória para contar e eu desejo, em cada gota de água dentro de mim, que seja de sua natureza preservada!

E dos meus gritos... pelos rios e pelas florestas... um estudo que alimenta minh`alma!

Isso não é magia?

Ahoo

E a canção, aí de cima... um canto tradicional de uma cultura africana que ensina suas crianças através dos cânticos tradicionais, diz mais ou menos assim:

¨Crianças, recolham o gado, guardem os animais que as grandes chuvas estão chegando. Precisamos proteger nossas riquezas.¨

sexta-feira, 24 de junho de 2011

"Quando as árvores abandonam a terra, a Água também se vai embora.."

Cada vez que o homem tentou controlar a natureza de um rio, de todos os rios que conheço, de tudo que me lembro... o homem sempre se deu muito mau...

O vídeo está dividido em 7 partes, todas obrigatórias à quem acredita que ainda tem força sobre teu destino e que acredita na força coletiva. Parafraseando um trecho do vídeo: "A única força capaz de transformar o mundo, capaz de transformar a sociedade, é a capacidade de unidade, de organização e mobilização das pessoas para enfrentar qualquer Poder."



É fundamental que você assista este vídeo e repasse aos seus, porque você tem tudo a ver com isso!

sábado, 22 de janeiro de 2011

A invasão das mulheres sem nome!

Estava dentro de um carro num estacionamento esperando meu amigo André quando ouvi os primeiros prenúncios do temporal, olhei para céu e confirmei apertada que a água despencaria de lá das plumas com força total.

Estava dentro do carro e assim permaneci quando a chuva torrencial executou sua dança de raios, trovões, ventanias, granizos e água, muita água, numa orquestra composta de sonoridades e imagens que vão além de suas intensidades.

Me permiti a ignição do possante quando me vi ameaçada por um holofote que balançava ao meu lado como se fosse bambú... pensei: ¨esse troço vai cair em cima de mim!¨ Então rodopiei as quatro rodas em direção do nada que conseguia ver... mas saí daquele local apavorante e parei novamente para esperar que ao menos aquele espetáculo passasse a encenar seus últimos números...

Na minha caixola, um áudio no modo repeat dizia: Putz... com certeza a casa encheu... afinal com bem menos água, 4 dias antes, eu já tive que me dedicar as tarefas do lar... mais conhecido pelas mulheres em geral como lerê!

Deu a hora de tentar sair daquele palco e procurar outras arenas...

Para chegar em casa, algo em torno de 1km de onde eu estava, tive rodar uns 5km para chegar ao destino... Eu e meu amigo André nos aventuramos entrando em tudo o que foi contramão para fugir de tantos alagamentos da querida Santa Terezinha; mais parecia um game, íamos passando de fase..rsrsrsrs

E o áudio na cabeça a cantarolar o prelúdio do que já era...

Depois de largar o quatro rodas na casa do amigo, segui aperreada rumo à minha casa, tentando ser otimista, como se isso me liberasse do pior...

Na rua atrás da minha, o rio fez juz a sua força e sabedoria, expandindo suas margens e tomando conta de tudo ao seu redor, e como quem anda em corda bamba, lá estava eu me equilibrando no murinho do rio, para não cair em nenhum dos lados dele, afinal tudo já era um.

Depois do desafio de não cair e ser levada downstream, olho e vejo a muvuca na esquina de casa, todos olhavam para o alto e não era para menos, a cobertura nova da vizinha tinha se desmembrado de sua casa e ganhou asas, parando somente nas correntes elétricas da eletropaulo... parecia mais uma instalação de arte – não para aqueles que perderam sua telhas, caibros e tals... of course!

Entrei na minha rua e o lerê era geral, vizinhas lavando suas casas era o sinal que faltava (porque eu não queria ver o fato, mesmo com tudo o que já havia presenciado até então...) de que a água mais uma vez adentrou meu ninho... não que a água seja mal vinda em casa... é que água de esgoto definitivamente não é algo legal de se ter em lugar algum, quanto mais na tua casa :(

Mas me dói profundamente chamar um rio de esgoto, mas é o que é, por enquanto....

Um dos meninos da rua, ao me ver aproximando de minha casa perguntou: ¨Quer ajuda?¨
E eu: ¨Para quê?¨
Ele: ¨Para tirar a água da sua casa¨.
E eu, numa manifestação mais que petulante e incrédula respondi: ¨Não precisa, estou acostumada, grata!¨ … mal sabia o que me esperava..kkkkkk

Abri a porta e mergulhei minha perna na piscina barrenta, nunca tinha vista nada igual!!
Água até o joelho em todos os cômodos... coisas a boiar e gatos ilhados, pobres coitados – assustadíssimos!

Antes de processar aquelas informações todas e movida pelo instinto - salvar bichos!, destinando-os ao segundo andar... depois, um olhar panorâmico no tamanho do estrago e um momento de choque onde possivelmente as sinapses entram em colapso...

Me dirigi a porta da rua abrindo-a para ver se conseguia enxergar algo além daquela água turva e de repente quem sabe, atinar a resposta, o feedback, buscar a saída daquilo... se bem que a vontade mesmooo, era de sair andando, passo a passo até, quem sabe, esquecer quem era eu... mas meu ascendente, bem representado por sua natureza terra, me puxou da água (literalmente) com o comando ¨Deixa pra chorar depois e bora que tem é coisa pra fazer!¨

Firma o pé mulher!!!rsrsrsrs

Nesse instante, algo de surpreendente sucedeu: Sete mulheres sem nome, invadiram minha casa, sem ao menos pedir licença ou questionar se precisava de ajuda! Simplesmente adentraram munidas de baldes, coragem, força, calças arregaçadas e passaram a tirar a água de minha casa incessantemente!

Lepstopirose, que nada – bora drenar essa aguaceira toda!

Eu, parei!

Devo ter ficado em choque por uns 30 segundos olhando aquela cena e refletindo rapidamente sobre ela. O que mais me martelava a cachola de marfim recheada de correntes elétricas e neurônios era: ¨Não sei o nome de ninguém!”

Fantástico!

Recobrei a memória de mim naquele espaço surreal da minha vida e cacei um balde para me juntar as mulheres sem nomes!

Após esvaziar o rio que era minha casa, a missão era lavar tudo e pude contar com a ajuda do amigo André e sua super animada e disposta prima – Patrícia, munida de seu filho fofo!

Desinfectar chãos e paredes para que no próximo dia pudesse iniciar a limpeza das coisas e verificar o prejuízo... para um biólogo, visualizar (imaginar) a proliferação das bactérias é o mesmo que ver um prato suculento de pasta ao pesto para um aficionado em massas faminto.... eu tinha mais do que certeza de que elas ali estavam!, e mais, crescendo indefinidamente!

O detalhe de tudo isso era que por conta do temporal, havia acabado a energia elétrica e a água... só para facilitar, é claro...

Dá para imaginar essa história toda acontecendo a luz de velas?, pois é... foi assim!

Ao deitar na minha cama, me permiti derrubar 3 lágrimas, mesmo com um rio turbulento dentro de mim e me ative em recordar as mulheres sem nomes, que me ensinaram a receber solidariedade sem pedir e que me mostraram o que significa essência na prática!

Olhar para elas me reanimou – recordar que há uma essência bela em cada ser, independente de qualquer coisa que seja!, gratidão poder ver!

Renovação da fé no ser humano, ufa!

Quanto ao rio, aquele dentro de mim, ainda veio a transbordar mais tarde, no outro dia, quando constei que todos meus mantimentos haviam se contaminado com a água, jogar toda aquela comida fora foi a tarefa mais difícil e dolorida de todas, aquilo tinha um quê de sagrado para mim e foi por isso que chorei, porém sem me esquecer das mulheres sem nomes!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Seiva da Vida!

Voltando de Sampa hoje, depois de longo tempo saltando de condução a condução... precisei dar uma paradinha no banheiro da estação de trem "Tamanduateí".
Para quem gosta muito de beber água há de se confrontar com alguns obstáculos...
Se você beber água, na quantidade que os meios de saúde recomendam e que goste, precisará de um banheiro para concluir a filtração de seus fluidos intracelulares... resumindo em miúdos.. fazer xixi.. e vontade de fazer xixi não é tão controlável quanto a vontade de beber água!
A questão é que se ficarmos permanentes em algum local de trabalho ou em casa, ok! é só ir ao banheiro... porém, se precisares se locomover entre um ponto e outro... possivelmente terás um problema, afinal a tal vontade de ir ao banheiro poderá surgir em momentos em que o tal "toalete" não existe, ou então se existir.. é "impraticável..."
Eu já me questionei, e hoje repeti este questionamento do porque cada estação de trem, de metrô, e estações de ônibus não possuem banheiros "praticáveis (vide o significado nas últimas aspas!).
Nâo é o caso do banheiro do Tamanduateí, apesar de ter uma única privada.. está sempre "limpinho" e organizado! Mas quando cheguei e fui lavar minhas mãos, vi que a torneira estava vazando...
Eu, mirando aquela água limpinha se esvaindo pelo cano do esgoto, paralisada pela minha impotência momentânea, depois de algum tempo de surto pensei:
- Como podemos, nós cidadãos de um planeta em crise mundial de água, seiva esta que gera vida, responsável pela conexão real de todos os seres e elementos da terra, podemos encarar um vazamento de água com tanta naturalidade?, já se foi o tempo em que isso poderia soar como corriqueiro!
Mas de fato temos um problema grave de água, num ponto em que hoje pagamos para tê-la com qualidade, isso levando-se em conta um país riquíssimo em recursos hídricos!
Como podemos deixar escorrer por entre os dedos nossa seiva da vida?, em tempos de crises, em tempos em que não somente se fala, mas se vive, experencia o êxodo da água, a guerra da água!
Como podemos?

Devíamos ter princípios básicos para o uso e economia da água desde que nascemos, e as instuições públicas (as quais já flagrei incontáveis vezes) deviam ser multadas pelo mínimo de água desperdiçada!

E nós, cidadãos comuns do cotidiano não deveríamos deixar isso no silêncio!

Pode até soar estranho algumas das coisas que vou dizer, mas penso que além de precisarmos de Cuidar da Água, de Nos Cuidar com Água, e de poder beber água limpa sem que precisemos consumir água engarrafada (veja o vídeo nesta página), também precisamos de banheiros limpos e disponíveis em nossos caminhos para que o ato de Cuidar de Si (fazer xixi) não seja adiado ou interrompido!

Agora, a conexão entre vazamento de água, crise da água e fazer xixi é simplesmente a "água"..rsrsr

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A história da água engarrafada...

Na mesma linha do vídeo "A história das coisas", com informações de grande importância e sentimentos análagos...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O homem que cultivava água!

Este post foi copiado na íntegra com a permissão do blog "Tudo sobre plantas"
E não foi a toa que optei por colocá-lo integralmente aqui, basta ler para entender, trata-se de uma história linda de amor, conexão e observação dos padrões da Natureza!
Em brincadeira com uma amiga, também permacultora... eu disse: "O Bill Mollison deve ter feito o curso de permacultura com ele...rsrsrsr" - Ela então caiu na gargalhada e concordou!!
Então, fica o convite para saborear a história:

"Viajando pelo sul da África neste verão (1995) ouvi falar de um homem que cultivava a Água.

Parti à procura sem idéia clara do meu rumo. Me encontrei num ônibus folclórico abarrotado atravessando ruidosamente o interior do sul de Zimbabwe a uns 30 km por hora.

A paisagem era bela: colinas suaves de capim amarelo em terra vermelha, com moitas de arvores retorcidas, às vezes em forma de guarda-chuva. Cochilei até, nove horas depois, chegarmos na região mais seca de Zimbabwe.

Do topo da colina de vegetação semidesértica avistamos uma campina imensa de colinas onduladas cobertas de capim seco e afloramentos de granito; poucas árvores. Lembrei da campina aberta do sudoeste de Arizona. De fato, tudo era coroado por um céu azul límpido como aqueles que do sudoeste árido dos EUA. O ônibus adentrou vagarosamente a capina seca e parou no lugarejo de Zvishavane. Aqui mora o cultivador de água.

Enquanto o sol se punha, procurei um lugar para estender o saco de dormir, e adormeci. Na manha seguinte, peguei carona com a diretora do CARE Internacional. Ela me levou a uma fila de casas térreas. Uma destas era o escritório simples do Projeto de Recursos de água de Zvishavane (Zvishavane Water Resources Project (ZWRP). Lá, na varanda, estava sentado o cultivador de água, lendo a Bíblia.

Na minha chegada ele se levantou com um sorriso enorme e saudações cordiais. Aqui, finalmente, estava Sr. Zephania Phiri Maseko. Ao descobrir a distância que eu percorrera, ele desatou a rir maravilhosamente. Me contou que ultimamente chegam visitantes de todos os pontos do globo, quase diariamente. Mesmo assim, cada um é uma surpresa.

No jipe atravessamos a solavancos as estradas de terra erodidas rumo ao seu sítio, enquanto Sr. Phiri falava, ria, e gesticulava, contando infindáveis analogias e histórias poéticas. A melhor de todas é a dele.

Em 1964 foi dispensado do seu emprego na ferrovia por estar politicamente ativo contra o governo branco rodesiano. O governo alertou que nunca mais trabalharia em nenhuma função. Tendo que sustentar uma família de oito, Sr. Phiri recorreu as duas coisas que tinha: uma propriedade familiar de 3 hectares, e a Bíblia.

Ele não usa a Bíblia somente como guia espiritual - usa como manual de jardinagem. Ao ler a Gênese, viu que tudo de que Adão e Eva precisavam era suprido pelo jardim de Éden. ” Assim”, pensou, “preciso criar meu próprio Jardim de Éden”. Mas se deu conta que Adão e Eva tinham os rios Tigres e Euphrates na sua região. Não tinha nem sequer um riacho intermitente. “Então,” pensou Sr. Phiri, “preciso também criar meus próprios rios. ” Ele fez ambos.

O seu sítio fica nas encostas de uma colina, voltado p/ N-NE (lembrando que este é o hemisfério sul). No topo da colina há um afloramento grande de granito onde a água das enxurradas escorre livremente. A precipitação anual media é de 570 mm ( um pouco acima de 22 polegadas), mas como ele, aponta, é uma média baseada em extremos. Muitos anos são de seca, quando a terra tem sorte se recebe 12 polegadas ( 270 mm) de chuva.

No começo era muito difícil desenvolver as culturas, muito menos lucrar delas, devido às secas freqüentes e falta total de equipamento ou capital para irrigar a partir do lençol freático.

Ele dedicou tempo observando o que acontecia quando de fato chovia. Em pequenas depressões e no lado superior das rochas e das plantas, a umidade do solo durava mais do que em áreas onde a água escoava livremente. Assim começou a auto-educação e o trabalho de coleta de água de chuva. Ao longo de 30 anos Sr. Phiri criou um sistema sustentável que preenche todas as suas necessidades em água, só com a chuva.

“Tem que começar a captação no alto, e sarar as voçorocas jovens antes das velhas e profundas rio abaixo,” diz Sr. Phiri. Começando no topo da divisória de águas ele construiu muros de pedra seca aleatoriamente mas nas linhas de contorno. Tendo funções similares aos gaviões [cestas quadradas de arame preenchidas de rochas utilizadas para captar água e sedimentos em grandes vossorocas, NT ] , estes muros diminuem a velocidade do fluxo de água de tempestades , que atravessa lentamente os espaços entre as pedras. Assim amansa-se o fluxo de água saindo da redoma do afloramento de granito, direcionando-a para reservatórios permeáveis, que, como tudo na propriedade, foram construídas com ferramentas de mão e o suor de Sr. Phiri e suas duas esposas.

O maior dos dois reservatórios ele chama o seu centro de imigração. “É aqui que dou as boas-vindas para a água em minha propriedade e depois a direciono para onde residirá no solo” , ele explica, rindo. “O solo,” explica, “é como uma lata. A lata precisa segurar toda a água. Vossorocas e erosão são como buracos na lata que permitem que a água e a matéria orgânica escapem. Estes precisam ser tapados.” O ” centro de imigração” serve também de medidor de chuva, porque sabe que se encher três vezes durante uma estação, infiltrou chuva suficiente ate o lençol freático para durar dois anos.

O reservatório menor direciona a água via uma manilha para uma cisterna livre de ferro-cimento que alimenta o quintal durante as secas. Tem outra cisterna de ferro-cimento, sombreada por um pé de maracujá luxuriante, que capta a água do telhado. Alem destas duas cisternas , todas as estruturas de captação de água na propriedade visam infiltrar a água no solo o mais rápido possível.

Perto da casa ha uma pia externa onde as águas servidas escoam para uma cisterna subterrânea, forrada de pedras secas, onde a água rapidamente se infiltra. Do topo da divisória de águas ate o fundo existem varias estruturas para a captação de água como represas de retenção, gaviões, terraços, valas de infiltração (”swales”), e “covas de fruição”.

O governo colocou valas de escoamento na região toda muitos anos atrás, mas feitas fora das linhas de contorno, para acabar com a erosão em laminas, levando a água das tempestades para um dreno central. O problema de erosão resolveu-se, mas as terras acabaram sendo roubadas da sua água. Assim, Sr. Phiri cavou grandes “covas de fruição” de 10x6x4 pés no fundo de todas as suas valas. Quando chove, a água enche a primeira cova e o excedente enche o seguinte, continuando assim até os limites da propriedade. Muito depois do fim da chuva, a água continua nas covas, infiltrando no solo.

Em volta das covas capins grosseiros são cultivados para controle de erosão, para cobertura das casas, e venda. Muitas árvores frutíferas vigorosas foram plantadas por Sr. Phiri ao longo dessas valas para fornecer alimentos, sombra, e quebra-ventos. São alimentadas estritamente pelas chuvas e o lençol freático, que vai se aproximando da superfície.

Como Mr. Phiri explica: “Cavo valas e covas de fruição para plantar a água para que possa germinar em outro lugar.” ” Ensinei o meu sistema às árvores,” continua. “Elas entendem-no e à minha linguagem. As coloco aqui e digo ‘Olha, a água esta aqui. Vão a procura.” Nenhuma bacia nem divisória para segurar ou negar a água é colocada em volta delas; as raízes são encorajadas a se esticarem e encontrar a água.

Uma mistura diversa de culturas não híbridas como abóbora, milho, pimenta, beringela, taboa para cestas, tomate, alface, espinafre, ervilha, alho, feijão, maracujá, manga, goiaba, e mamão, juntamente com arvores nativas como matobve, muchakata, munyii, e mutamba são plantadas entre as valas.

Esta diversidade oferece segurança alimentar porque na falha de alguma cultura devido a seca, doença, ou praga, outras sobreviverão. A utilização de culturas não híbridas garante que Mr. Phiri possa colecionar, selecionar, e utilizar as suas próprias sementes de um ano para outro.

Ha uma abundância de plantas fixadoras de nitrogênio. Guandu é um exemplo, e serve também para forragem e cobertura morta. Sr. Phiri percebeu que solos fertilizados quimicamente não infiltram nem seguram água muito bem. Como diz: “Você aplica o fertilizante um ano, e não no ano seguinte, as plantas morrem. Você aplica esterco e plantas fixadoras de nitrogênio uma vez, e as plantas continuam a prosperar vários anos em seguida. Solo fertilizado quimicamente é amargo.”

Os alimentos e as frutas que Mr. Phiri produz estão longe de serem amargos. Ele tem sido generoso na sua abundância, dando mudas de arvores para quem quisesse. Infelizmente, como ele mesmo aponta, a maioria das arvores que ele doa morrem se não foram implementadas as técnicas de coleta de água antes do plantio. Ele propaga as arvores em sacos velhos de arroz e grãos perto de um dos poços a céu aberto no fundo da propriedade.

Ele descreve os poços com outra analogia: “A água é como o sangue — é sempre atraída à ferida. As vossorocas são feridas. O sangue vai até a ferida para saná-la. Se faz com gaviões e valas de infiltração onde a vossoroca se enche de solo fértil.” Com este conhecimento Mr. Phiri cavou três poços no fundo da sua propriedade sabendo que a água coletada no seu terreno se infiltraria no solo e acharia seu caminho até as feridas no fundo da propriedade.

O solo é sua bacia de captação. No tempo da seca, os poços dos vizinhos secam (mesmo os mais profundos do que os dele) mesmo assim os seus poços sempre contêm água “em que posso mergulhar os dedos”, porque ele repõe de longe mais água dentro do seu solo. Com a exceção de um poço que é forrado e munido de uma bomba manual para água de uso doméstico, os outros são forrados com pedras secas. “Estes poços” ele explica, “são aqueles do homem generoso. A água vem e vai como quiser, porque , como você vê, no meu terreno ela se encontra em todo lugar.”

Em tempos de seca severa, Sr. Phiri tira água destes poços para irrigar culturas anuais nos campos vizinhos. Ele utiliza uma bomba conhecida como Shaduf Egipcio, que não passa de uma bomba manual que utiliza um pneu velho de trator para bombear a água. Uma manivela abre e fecha a bexiga (o pneu) como um acordeão, criando a sucção necessária.

Um brejo natural luxuriante se encontra abaixo dos poços no ponto mais baixo da propriedade. Aqui Sr. Phiri pratica piscicultura em três reservatórios. Conforme os dois menores vão secando, os peixes são coletados ou realocados ao grande.

É aqui onde Sr. Phiri instalou uma plantação densa de bananeiras! Terras secas de todo lado, mas na sua propriedade uma floresta de bananeiras! Cana de açúcar, taboa, e capins como capim elefante também são plantadas nos embancamentos para segurar o solo.

O gado se beneficia desta vegetação densa, plantadas para filtrar a água antes que entre no reservatório. Esta forragem nobre é reservada para as vacas prenhas. No começo Sr. Phiri teve de ir a três audiências por violar as leis que proíbem cultivo no brejo. Eram leis do tempo colonial. Finalmente, na terceira audiência, ele conseguiu convencer o juiz a visitar a sua propriedade. Ao ver o trabalho feito, o juiz arquivou a denúncia na hora.

No solo deste sítio fluem os rios “Tigris e Euphrates”; os reservatórios são o local onde afloram. O ciclo do Jardim do Éden do Sr. .Phiri, que começa a ser percebido depois de 30 anos obscuros e às vezes de desprezo, continua a crescer. Das últimas três décadas ele diz: “Claro, é um processo lento, mas é a VIDA. Lentamente implemente os projetos, e conforme a sua vida comece a rimar com a Natureza, logo outras vidas começam a rimar com a sua.”

Em conjunto com a ONG que criou, O Projeto Zvishavane de Recursos Hidricos ele espalha suas técnicas. Influenciou a CARE Internacional na sua região ao ponto que, em vez de distribuir alimentos, eles agora implementam os seus métodos para que as pessoas possam plantar seus próprios alimentos.

Ele tem visitado escolas onde os professores estavam em greve devido à falta d’água e às condições difíceis em sala de aula empoeiradas e sacudidas pelos ventos. Ele ensinou os professores e estudantes a colher a água da chuva, e juntos transformaram as escolas em jardins luxuriantes, eliminando o motivo de greve. “Lembre que as crianças são as nossas flores, “diz Sr. Phiri, “dê-lhes água, que crescem e dão flor.”"

O projeto de Mr. Phiri trabalha localmente (uma grande razão do sucesso) . Mesmo assim o Projeto sempre precisa de fundos. Se você gostaria de ajudar, escreva ao Sr. Zephania Phiri Maseko:

Zepheniah Phiri
The Zvishavane Water Project
P.O. Box 118
Zvishavane, Zimbabwe
Phone: 263 51 3250