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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um pouco sobre o paisagismo de Santo André

Há tempos tenho pensado em postar algumas coisas das quais me orgulho de ter participado e que hoje em dia me entristece olhar e constatar os rumos tomados...
Em setembro de 2008, escrevi aqui sobre a importância dos fragmentos florestais e citei um dos aspectos contemplados no paisagismo da cidade de Santo André, o post tá aqui!
O que me fez sair do plano das idéias para o mundo das ações no caso específico deste texto foi um micro post que fiz hoje no facebook: ¨Caminhando por pontos altos de minha cidade, subindo viadutos e passarelas num bonito fim do dia pensei, o quanto é privilegiada a vista por cima da copa das árvores, ainda mais quando a diversidade está contemplada! Dá para entender a alegria dos passarinhos que sobrevivem na floresta cinza....¨
Daí, pensei então: Já chega de adiar esse desabafo né!?, bora ampliar este post... aqui estou!
Então para contextualizar o dito acima, precisamos retornar ao ano de 2002... onde eu e mais uma galera boa (boa parte de estudantes e pesquisadores do Instituto de Botânica de SP e outras importantes instituições de pesquisa e ensino) fomos selecionados para um projeto chamado ¨Tudo em Volta¨, da cidade de Santo André, que visava dentre vários objetivos, conectar a educação do munícipio com as mudanças paisagísticas e ecológicas da região, uma parceria entre a Secretaria de Serviços Municipais (mais precisamente o DEPAVE - Departamento de Parques e Áreas Verdes) e a Secretaria da Educação.
O projeto funcionava como sistema e vou tentar explicar abaixo:
1.Conexão com outro projeto genial, chamado ¨Santo André Cidade Botânica¨ - a idéia principal era ao invés da cidade possuir um jardim botânico, a cidade ser o jardim! Para isso, uma grande equipe de engenheiros agrônomos, civis, arquitetos, técnicos de várias áreas e os jardineiros trabalhavam como uma grande equipe coesa para a implementação da idéia, era fácil observar a paixão da maioria no fazer de tudo isso...
- Santo André tem um viveiro municipal, muito bem localizado (por questões ambientais mesmo) e que tinha (não sei como está hoje em dia..) um estrutura de produção de espécies interessante!
Lá eram feitas as reproduções das plantas de médio e grande porte para a cidade, o melhor? - grande parte da produção era de árvores nativas de mata atlântica que minimamente teriam e tem a nobre função de alimentar algum ser vivo que insiste em sobreviver por estas bandas... pássaros, morcegos, insetos e outros... Neste espaço experimentar era possível e apoiado, muitas plantas foram produzidas pela curiosidade de alguns agronômos que recolhiam sementes florestais de mata atlântica e estudavam sua germinação, produção em escala e quando tudo dava certo -> cidade!
- Outro fator muito importante que foi considerado foi a organicidade e funcionalidade das formas dos espaços, trocando em ¨miúdos¨... locais como canteiros, praças, morros, parques, calçadas, quando desenhados os croquis da intervenção, os técnicos e especialistas do assunto consideravam a topografia como elemento funcional para a absorção das águas das chuvas, pois se você pegar um terreno e terraplanar, com bem pouca chuva terás um charco, afinal a água não tem para onde escorrer, quando este satura, encharca e ainda o peso da água ajuda a compactar o solo... furada! Porém, se o terreno é cheio de ondas, curvas, morrinhos e tals... você ¨obriga¨ a água passear pelo solo, que encontram naturalmente os canais de infiltração e no máximo terás alguns pequenos pontos de alagamento se a chuva for bem forte.
- Um ponto interessante desta concepção era o de ¨ajudar¨ os moradores da cidade à se integrarem a este ambiente, sendo assim as calçadas, praças e canteiros tinham seus caminhos traçados no meio da vegetação, ao contrário do que se vê nas cidades (os caminhos sempre estão nas regiões periféricas - do lado de fora da praça, canteiro e tals...) assim, acabamos nos habituando em andar nas ruas olhando para carros e prédios; no caso desta mudança, os caminhos que as pessoas precisavam trilhar era cercado de plantas ornamentais (com flores de variadas cores, formas, cheiros, funções) e frutíferas de ambos os lados (quando tinham os lados...). Tudo em Volta, de novo... Quanto as herbáceas (aquelas plantinhas pequeninas que podemos utilizar para forrar o solo, e algumas podemos até chamar de forrageiras), sua produção era feita nas próprias praças, afinal uma característica importante deste tipo de planta é a capacidade de ¨forrar¨ o solo, portanto em um curto período de tempo, o solo da praça era tomado por tais plantas e aos poucos adensavam; chegavam os jardineiros, retiravam uma parte daquelas plantas e as plantavam em outra praça, calçada e etc... as que ficavam, rapidamente cobriam a clareira formada e assim as praças se tornaram viveiros funcionais na cidade (e não dá pra dizer que é um projeto permacultural?).
- Os jardineiros, antes conhecidos como frente de trabalho, ganharam mais uma qualificação, aprenderam a cuidar de jardins, tornaram-se jardineiros - fundamentais na execução e manutenção do projeto (o que aconteceu à eles agora?) Soube de alguns que já tinham carta livre para desenhar algumas praças com total confiança de seus supervisores, bravo!

2. Transformação arquitetônica e paisagística das escolas da rede municipal - O ¨Tudo em Volta¨ era um projeto de sentido de palavra... uma das ações aplicadas nas escolas era a pintura geral da escola utilizando cores, muitas cores, de maneira harmônica e alegre, os espaços ganhavam vida! Outra implementação era a derrubada de muros, ou parte deles para a colocação de alambrados que proporcionavam limite ao espaço escolar, porém sem a idéia de fortaleza, local não bem vindo de qualquer indivíduo não escolar.. a idéia? Integrar a escola ao ambiente inteiro e integrar o ambiente à escola (Tudo em Volta começa a fazer sentido, não?!). As escolas eram reformuladas paisagisticamente, onde plantas que estavam sendo introduzidas nos espaços da cidade (praças, canteiros, parques, calçadas) também entravam nos espaços da escola, além da construção de coleções botânicas na própria escola, onde os professores que interagiam com o projeto (via Secretaria da Educação) assumiam tais espaços como recursos didáticos em seus projetos, disso nasceram mini orquidários, hortas, terrários, eleição de árvore símbolo da escola (tal árvore de fato existia na escola) entre outras coisas...

3. Parque Escola - local onde tive meu primeiro contato prático com a permacultura, porém não se utilizava este nome, pelo menos pelo doidão que eu tomo a liberdade de nomear como grande cabeça desta história toda, um Arquiteto Paisagista que facilmente atribuo como Metarecicleiro, Permacultor e Botânico, pelo menos... sem dizer que era doidão mesmo, no bom sentido é claro! A experiência de trabalho com ele, para a maioria dos que viveram este momento (daquela galera boa da qual falei acima) foi genial e certamente inesquecível. O Parque Escola foi recriado por este figura com base em reaproveitamento de materiais locais de todos os tipos (troncos de árvores mortas, vidros de ônibus velhos, containers da construção civil, calhas do tamanduateí, paralelepipidos (retirados das ruas da cidade para o asfaltamento), madeiras, telhas, calhas... foram tantos, tantos materiais que não caberia nomear todos, mas não poderia esquecer de um grande alambique que ganhou função de armazenagem de água da chuva! Com tudo isso em mãos vários espaços interessantíssimos foram construídos num desenho orgânico, sistêmico e belo!
- Citando uns espaços (obs. no caso abaixo, toda palavra que acabar com ¨ário¨ quer dizer coleção): Bromeliário, Orquidário, Insetivorário (mais conhecido com carnivorário, ou plantas carnívoras), Cactário e Suculentário, Horta Orgânica, Horto de Medicinais, Bosque, Biblioteca, Espaço Multi-Uso (oficinas de arte), Carpoteca, Estufa, Auditório, Esporo Metareciclagem.
Este espaço concentrava os multi profissionais, afinal dividia espaço com o DEPAVE, então a troca e a aprendizagem era fator intrínseco no nosso dia a dia, aliás os educadores (biólogos em sua grande maioria) sempre estavam envolvidos nos trabalhos de campo dos agrônomos e jardineiros de alguma maneira, fosse identificando espécies, fosse dando aulas de jardinagem para a comunidade (as práticas sempre eram plantar algum jardim da cidade!), coletando amostras de bromélias para controle de dados da dengue, enfim trabalho à fazer na cidade nunca faltava e essa miscelânia de projetos, objetivos e profissionais davam um gosto mais que especial ao ¨Tudo em Volta¨.

Foto do Cactário - Fonte: Marcus Corradini - http://marcuscorradini.blogspot.com/2008_07_01_archive.html

- Um dos focos do Parque Escola no Projeto Tudo em Volta era o de receber as escolas (principalmente da rede municipal, que estava inserida no contexto integral do projeto) para o que chamávamos de ¨Aula Passeio¨. Nestes encontros, os educadores ambientais desenvolviam coletivamente com os alunos uma busca por um olhar mais apurado para o que estava acontecendo na cidade, a importância disso, a correlação com a questão ambiental, enfim trabalhávamos com a leitura da paisagem em suas diversas facetas e metodologias para integrar as crianças (na sua maioria) à Tudo em Volta, vislumbrando com isso uma ¨sensibilização¨ pelos moradores da cidade e de outras também é claro!

Fatos, dados, idéias fantásticas destes projetos certamente eu não citei, para isso teria que me dar ao prazer de escrever um livro sobre a história, pena ter tão pouco registro dessa história! Isso é apenas um resumo do resumo do resumo...

Possivelmente alguns leitores deste post irá perguntar: Tá, tudo isso, mas onde entra a reflexão de hoje, em cima de um viaduto contemplando copas de árvores, onde está o manifesto?! rsrsrsr

O que acontece é que em algum ponto, onde o essencial, necessário, útil, dá lugar ao imediatismo ou para ser mais precisa, à política do ego!
Foi só mudar a administração da cidade, para ver o Tudo em Volta ir por água a baixo...
Todo o esforço dos jardineiros (frente de trabalho, arquitetos, biólogos, agrônomos, engenheiros) tem sido arrancado dos espaços verdes para a substituição das gramas da empresas terceirizadas...

A fauna que retornou à Santo André pela diversidade verde antes criada, vai ter que procurar outro lugar para alimentar-se...
Coisas absurdas, como corte (sem nenhuma razão) de plantas de médio e grande porte pela metade, deixando um aspecto de abandono, feiura... sem dizer que as plantas que antes existiam, imitavam o aspecto visual da nossa flora brasileira (alguém já viu algo parecido em nossos ecossistemas com as praças gramadas com árvores distantes umas das outras?).
As forrageiras tinham outras funções que a grama não pode agregar, sendo uma delas a de esconder a sujeira da cidade, na época em que estes espaços existiam, pouco se via de lixo, as plantas as escondiam (o efeito de local limpo, favorece a limpeza - vide Curitiba e metrôs), agora com a grama aparadinha... muito lixo a vista!
Também ocorria que estas forrageiras (de espécies diferentes) faziam uma recomposição de alguns nutrientes no solo, quando suas folhas secavam e se agregavam ao solo...
A grama aparada e posteriormente ¨varrida¨, não pode nutrir a terra...

E porque tudo isso? Porque nós, moradores deste local não fomos ouvidos? Porque não quiseram saber o que pensávamos sobre o verde da cidade? Se nos apropriamos à ele ou não?, afinal na época do projeto, muito se ouvia da comunidade coisas como: a cidade tá mais verde, a cidade tá mais bonita, mas não sei porque....
Pessoas se manifestando contra essa ignorância municipal coletiva, tem! ah sim
Mas continuamos não sendo ouvidos, ouvidos?, quem ouve?

Eu ouço os passarinhos, que dia após dia, reunem-se em assembléia em copas de árvores floridas de Santa Terezinha para comunicar a vida e me inspirar para quem sabe um dia discorrer alegrias!

Depois do micro post do facebook, um macro post por aqui, finalizo deixando um link com uma sátira mais que inteligente sobre árvores voadoras, que veio muito a calhar com a inspiração causada pela observação das copas dar árvores...

http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/clima/o-ataque-das-arvores-voadoras/

quinta-feira, 11 de março de 2010

Workshop BioDigital: práticas sustentáveis em eventos

A proposta do termo encabeçado por Maira Begalli, fundadora e vice-diretora presidente da Veredas, é criar diretrizes para quem quer optar por ser socialmente responsável na hora de produzir um evento cultural, artístico, corporativo, governamental. Na metodologia do BioDigital são abordadas diversas etapas desse processo, como: alimentação, cenografia, consumo de energia, de água, comunicação, serviços.

* Clique e faça a sua inscrição no workshop

Durante o curso, serão elaborados eventos hipotéticos estimulando os participantes a pensar na sua produção utilizando premissas de BioDigital. No final, as práticas adotadas deverão ser listadas e documentadas junto às reflexões sobre os problemas e ganhos que surgiram ao longo do processo, possibilitando uma discussão sobre a aplicação efetiva dos conceitos.

“A metodologia de BioDigital é aberta, livre, e possível de ser replicada em qualquer localidade. Acreditamos no desenvolvimento de soluções plurais e vocacionais para os desafios que envolvem o meio ambiente, na adoção de princípios colaborativos, na cope(e)ração coletiva.”, explica Maira. A pesquisadora e desenvolvedora de projetos envolvendo novas tecnologias e meio ambiente já aplicou a metodologia em eventos como São Paulo Fashion Week, Campus Party e Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira.

O valor do curso varia de acordo com o número de alunos inscritos: R$ 300 por pessoa, se a turma tiver de 2 a 6 participantes; R$ 150, se os interessados subirem para 7 (máximo de alunos: 12).

Workshop BioDigital
Data: 24/03 a 7/04, duas vezes por semana das 19h30 as 21:30
Local: Casa da Cultura Digital
Preço: R$ 300 por participante (pode chegar a 50% deste valor, a depender do número de participantes)
Organizadora: Maira Begalli
Público-alvo: produtores, patrocinadores e idealizadores de eventos governamentais e corporativos.
Inscrições: preencha este formulário

Saiba mais sobre BioDigital: http://culturadigital.br/biodigital/

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O homem que cultivava água!

Este post foi copiado na íntegra com a permissão do blog "Tudo sobre plantas"
E não foi a toa que optei por colocá-lo integralmente aqui, basta ler para entender, trata-se de uma história linda de amor, conexão e observação dos padrões da Natureza!
Em brincadeira com uma amiga, também permacultora... eu disse: "O Bill Mollison deve ter feito o curso de permacultura com ele...rsrsrsr" - Ela então caiu na gargalhada e concordou!!
Então, fica o convite para saborear a história:

"Viajando pelo sul da África neste verão (1995) ouvi falar de um homem que cultivava a Água.

Parti à procura sem idéia clara do meu rumo. Me encontrei num ônibus folclórico abarrotado atravessando ruidosamente o interior do sul de Zimbabwe a uns 30 km por hora.

A paisagem era bela: colinas suaves de capim amarelo em terra vermelha, com moitas de arvores retorcidas, às vezes em forma de guarda-chuva. Cochilei até, nove horas depois, chegarmos na região mais seca de Zimbabwe.

Do topo da colina de vegetação semidesértica avistamos uma campina imensa de colinas onduladas cobertas de capim seco e afloramentos de granito; poucas árvores. Lembrei da campina aberta do sudoeste de Arizona. De fato, tudo era coroado por um céu azul límpido como aqueles que do sudoeste árido dos EUA. O ônibus adentrou vagarosamente a capina seca e parou no lugarejo de Zvishavane. Aqui mora o cultivador de água.

Enquanto o sol se punha, procurei um lugar para estender o saco de dormir, e adormeci. Na manha seguinte, peguei carona com a diretora do CARE Internacional. Ela me levou a uma fila de casas térreas. Uma destas era o escritório simples do Projeto de Recursos de água de Zvishavane (Zvishavane Water Resources Project (ZWRP). Lá, na varanda, estava sentado o cultivador de água, lendo a Bíblia.

Na minha chegada ele se levantou com um sorriso enorme e saudações cordiais. Aqui, finalmente, estava Sr. Zephania Phiri Maseko. Ao descobrir a distância que eu percorrera, ele desatou a rir maravilhosamente. Me contou que ultimamente chegam visitantes de todos os pontos do globo, quase diariamente. Mesmo assim, cada um é uma surpresa.

No jipe atravessamos a solavancos as estradas de terra erodidas rumo ao seu sítio, enquanto Sr. Phiri falava, ria, e gesticulava, contando infindáveis analogias e histórias poéticas. A melhor de todas é a dele.

Em 1964 foi dispensado do seu emprego na ferrovia por estar politicamente ativo contra o governo branco rodesiano. O governo alertou que nunca mais trabalharia em nenhuma função. Tendo que sustentar uma família de oito, Sr. Phiri recorreu as duas coisas que tinha: uma propriedade familiar de 3 hectares, e a Bíblia.

Ele não usa a Bíblia somente como guia espiritual - usa como manual de jardinagem. Ao ler a Gênese, viu que tudo de que Adão e Eva precisavam era suprido pelo jardim de Éden. ” Assim”, pensou, “preciso criar meu próprio Jardim de Éden”. Mas se deu conta que Adão e Eva tinham os rios Tigres e Euphrates na sua região. Não tinha nem sequer um riacho intermitente. “Então,” pensou Sr. Phiri, “preciso também criar meus próprios rios. ” Ele fez ambos.

O seu sítio fica nas encostas de uma colina, voltado p/ N-NE (lembrando que este é o hemisfério sul). No topo da colina há um afloramento grande de granito onde a água das enxurradas escorre livremente. A precipitação anual media é de 570 mm ( um pouco acima de 22 polegadas), mas como ele, aponta, é uma média baseada em extremos. Muitos anos são de seca, quando a terra tem sorte se recebe 12 polegadas ( 270 mm) de chuva.

No começo era muito difícil desenvolver as culturas, muito menos lucrar delas, devido às secas freqüentes e falta total de equipamento ou capital para irrigar a partir do lençol freático.

Ele dedicou tempo observando o que acontecia quando de fato chovia. Em pequenas depressões e no lado superior das rochas e das plantas, a umidade do solo durava mais do que em áreas onde a água escoava livremente. Assim começou a auto-educação e o trabalho de coleta de água de chuva. Ao longo de 30 anos Sr. Phiri criou um sistema sustentável que preenche todas as suas necessidades em água, só com a chuva.

“Tem que começar a captação no alto, e sarar as voçorocas jovens antes das velhas e profundas rio abaixo,” diz Sr. Phiri. Começando no topo da divisória de águas ele construiu muros de pedra seca aleatoriamente mas nas linhas de contorno. Tendo funções similares aos gaviões [cestas quadradas de arame preenchidas de rochas utilizadas para captar água e sedimentos em grandes vossorocas, NT ] , estes muros diminuem a velocidade do fluxo de água de tempestades , que atravessa lentamente os espaços entre as pedras. Assim amansa-se o fluxo de água saindo da redoma do afloramento de granito, direcionando-a para reservatórios permeáveis, que, como tudo na propriedade, foram construídas com ferramentas de mão e o suor de Sr. Phiri e suas duas esposas.

O maior dos dois reservatórios ele chama o seu centro de imigração. “É aqui que dou as boas-vindas para a água em minha propriedade e depois a direciono para onde residirá no solo” , ele explica, rindo. “O solo,” explica, “é como uma lata. A lata precisa segurar toda a água. Vossorocas e erosão são como buracos na lata que permitem que a água e a matéria orgânica escapem. Estes precisam ser tapados.” O ” centro de imigração” serve também de medidor de chuva, porque sabe que se encher três vezes durante uma estação, infiltrou chuva suficiente ate o lençol freático para durar dois anos.

O reservatório menor direciona a água via uma manilha para uma cisterna livre de ferro-cimento que alimenta o quintal durante as secas. Tem outra cisterna de ferro-cimento, sombreada por um pé de maracujá luxuriante, que capta a água do telhado. Alem destas duas cisternas , todas as estruturas de captação de água na propriedade visam infiltrar a água no solo o mais rápido possível.

Perto da casa ha uma pia externa onde as águas servidas escoam para uma cisterna subterrânea, forrada de pedras secas, onde a água rapidamente se infiltra. Do topo da divisória de águas ate o fundo existem varias estruturas para a captação de água como represas de retenção, gaviões, terraços, valas de infiltração (”swales”), e “covas de fruição”.

O governo colocou valas de escoamento na região toda muitos anos atrás, mas feitas fora das linhas de contorno, para acabar com a erosão em laminas, levando a água das tempestades para um dreno central. O problema de erosão resolveu-se, mas as terras acabaram sendo roubadas da sua água. Assim, Sr. Phiri cavou grandes “covas de fruição” de 10x6x4 pés no fundo de todas as suas valas. Quando chove, a água enche a primeira cova e o excedente enche o seguinte, continuando assim até os limites da propriedade. Muito depois do fim da chuva, a água continua nas covas, infiltrando no solo.

Em volta das covas capins grosseiros são cultivados para controle de erosão, para cobertura das casas, e venda. Muitas árvores frutíferas vigorosas foram plantadas por Sr. Phiri ao longo dessas valas para fornecer alimentos, sombra, e quebra-ventos. São alimentadas estritamente pelas chuvas e o lençol freático, que vai se aproximando da superfície.

Como Mr. Phiri explica: “Cavo valas e covas de fruição para plantar a água para que possa germinar em outro lugar.” ” Ensinei o meu sistema às árvores,” continua. “Elas entendem-no e à minha linguagem. As coloco aqui e digo ‘Olha, a água esta aqui. Vão a procura.” Nenhuma bacia nem divisória para segurar ou negar a água é colocada em volta delas; as raízes são encorajadas a se esticarem e encontrar a água.

Uma mistura diversa de culturas não híbridas como abóbora, milho, pimenta, beringela, taboa para cestas, tomate, alface, espinafre, ervilha, alho, feijão, maracujá, manga, goiaba, e mamão, juntamente com arvores nativas como matobve, muchakata, munyii, e mutamba são plantadas entre as valas.

Esta diversidade oferece segurança alimentar porque na falha de alguma cultura devido a seca, doença, ou praga, outras sobreviverão. A utilização de culturas não híbridas garante que Mr. Phiri possa colecionar, selecionar, e utilizar as suas próprias sementes de um ano para outro.

Ha uma abundância de plantas fixadoras de nitrogênio. Guandu é um exemplo, e serve também para forragem e cobertura morta. Sr. Phiri percebeu que solos fertilizados quimicamente não infiltram nem seguram água muito bem. Como diz: “Você aplica o fertilizante um ano, e não no ano seguinte, as plantas morrem. Você aplica esterco e plantas fixadoras de nitrogênio uma vez, e as plantas continuam a prosperar vários anos em seguida. Solo fertilizado quimicamente é amargo.”

Os alimentos e as frutas que Mr. Phiri produz estão longe de serem amargos. Ele tem sido generoso na sua abundância, dando mudas de arvores para quem quisesse. Infelizmente, como ele mesmo aponta, a maioria das arvores que ele doa morrem se não foram implementadas as técnicas de coleta de água antes do plantio. Ele propaga as arvores em sacos velhos de arroz e grãos perto de um dos poços a céu aberto no fundo da propriedade.

Ele descreve os poços com outra analogia: “A água é como o sangue — é sempre atraída à ferida. As vossorocas são feridas. O sangue vai até a ferida para saná-la. Se faz com gaviões e valas de infiltração onde a vossoroca se enche de solo fértil.” Com este conhecimento Mr. Phiri cavou três poços no fundo da sua propriedade sabendo que a água coletada no seu terreno se infiltraria no solo e acharia seu caminho até as feridas no fundo da propriedade.

O solo é sua bacia de captação. No tempo da seca, os poços dos vizinhos secam (mesmo os mais profundos do que os dele) mesmo assim os seus poços sempre contêm água “em que posso mergulhar os dedos”, porque ele repõe de longe mais água dentro do seu solo. Com a exceção de um poço que é forrado e munido de uma bomba manual para água de uso doméstico, os outros são forrados com pedras secas. “Estes poços” ele explica, “são aqueles do homem generoso. A água vem e vai como quiser, porque , como você vê, no meu terreno ela se encontra em todo lugar.”

Em tempos de seca severa, Sr. Phiri tira água destes poços para irrigar culturas anuais nos campos vizinhos. Ele utiliza uma bomba conhecida como Shaduf Egipcio, que não passa de uma bomba manual que utiliza um pneu velho de trator para bombear a água. Uma manivela abre e fecha a bexiga (o pneu) como um acordeão, criando a sucção necessária.

Um brejo natural luxuriante se encontra abaixo dos poços no ponto mais baixo da propriedade. Aqui Sr. Phiri pratica piscicultura em três reservatórios. Conforme os dois menores vão secando, os peixes são coletados ou realocados ao grande.

É aqui onde Sr. Phiri instalou uma plantação densa de bananeiras! Terras secas de todo lado, mas na sua propriedade uma floresta de bananeiras! Cana de açúcar, taboa, e capins como capim elefante também são plantadas nos embancamentos para segurar o solo.

O gado se beneficia desta vegetação densa, plantadas para filtrar a água antes que entre no reservatório. Esta forragem nobre é reservada para as vacas prenhas. No começo Sr. Phiri teve de ir a três audiências por violar as leis que proíbem cultivo no brejo. Eram leis do tempo colonial. Finalmente, na terceira audiência, ele conseguiu convencer o juiz a visitar a sua propriedade. Ao ver o trabalho feito, o juiz arquivou a denúncia na hora.

No solo deste sítio fluem os rios “Tigris e Euphrates”; os reservatórios são o local onde afloram. O ciclo do Jardim do Éden do Sr. .Phiri, que começa a ser percebido depois de 30 anos obscuros e às vezes de desprezo, continua a crescer. Das últimas três décadas ele diz: “Claro, é um processo lento, mas é a VIDA. Lentamente implemente os projetos, e conforme a sua vida comece a rimar com a Natureza, logo outras vidas começam a rimar com a sua.”

Em conjunto com a ONG que criou, O Projeto Zvishavane de Recursos Hidricos ele espalha suas técnicas. Influenciou a CARE Internacional na sua região ao ponto que, em vez de distribuir alimentos, eles agora implementam os seus métodos para que as pessoas possam plantar seus próprios alimentos.

Ele tem visitado escolas onde os professores estavam em greve devido à falta d’água e às condições difíceis em sala de aula empoeiradas e sacudidas pelos ventos. Ele ensinou os professores e estudantes a colher a água da chuva, e juntos transformaram as escolas em jardins luxuriantes, eliminando o motivo de greve. “Lembre que as crianças são as nossas flores, “diz Sr. Phiri, “dê-lhes água, que crescem e dão flor.”"

O projeto de Mr. Phiri trabalha localmente (uma grande razão do sucesso) . Mesmo assim o Projeto sempre precisa de fundos. Se você gostaria de ajudar, escreva ao Sr. Zephania Phiri Maseko:

Zepheniah Phiri
The Zvishavane Water Project
P.O. Box 118
Zvishavane, Zimbabwe
Phone: 263 51 3250

GerminAções!

A artista e ativista ambiental Floriana Breyer espalha vegetação nos viadutos de São Paulo, como forma de expressão de sua arte, movimento, ação!

Um meio de poetizar a sustentabilidade!

Vale muito a pena conferir o vídeo deste blog:
http://estudodecasa.blogspot.com/2009/05/laboratorio-de-sustentabilidade.html
Nele, Floriana apresenta a reestruturação que implementou em seu apartamento, ótimas idéias inclusive para Ctrl-C / Ctrl-V !!!

domingo, 16 de agosto de 2009

Criado para ir ao Lixo!

O que na moda ou no design, nas tecnologias, na mídia são meras criações para que nós sejamos considerados não seres humanos, profissionais, integrantes de uma família, pais, mães, irmãos..., indíviduos com tantas características que podemos atribuir para passarmos a ser denominados "consumidores"?, já pensou nisso?
Em quanto nossa felicidade, nosso bem estar não está diretamente ligado ao quanto podemos consumir?
Será que quanto adquirirmos aquele mais novo celular que faz tudo o que os eletrônicos que tenho em casa junto?, como gravar vídeo, editar, tocar música, acessar internet, tirar fotos, etc, etc...?
Só utilizando o celular com exemplo... quantos você já trocou?, quantos destes foi porque realmente não tinha mais uso, estava quebrado, não funcionava?
Ou era porque o design já estava ultrapassado?, ou porque na TV vistes um muito mais legal?, você realmente precisa de todas estas funcionalidades?, você as usa?, o que encostou de aparelhos na tua casa por conta disso?
Agora, usando um simples sapato feminino como exemplo, ele tem a mesma forma que os do anos passado?, como bico fino, salto alto? ou mudou?
Com relação a sapatos, o que era moda em 2008 serve pra 2009?, você vai precisar comprar outro este ano?, jogar fora o do ano passado?
Obsolescência programada, obsolescência perceptiva... há pessoas trabalhando duro nisso, fazer coisas para ir ao lixo o mais rápido que puderem!, e você?
Cai nessa?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Impressões do ll Fórum Internacional de Sustentabilidade e Comunicação (Parte II)

Continuando os registros deste Fórum (para quem não viu, tem um post do dia 20/05 que comentei mais sobre...), agora comentando o 2º dia do evento... antes tarde do que nunca!
Começando com Mohan Munasinghe - Prêmio Nobel da Paz de 2007. Intelectual do Sri Lanka, reconhecido internacionalmente como um especialista em energia, desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas. Vice-presidente do IPCC (Intergovernmetal Panel on Climate Change).
Discorreu sobre a crise econômica e divulgou os seguintes dados:
* Foram desembolsados 4 trilhões de dólares para salvar os bancos!
* 100 bilhões de dólares por ano, é o quanto se gasta para o combate a pobreza, ou seja 1/4...
* e bem menos que 1/4... de todo este valor se aplica em favor a redução das emissões de carbono, mitigações ao combate do aquecimento global... se é que dá pra combater....
....como disse Mohan "a questão são as prioridades", é obvio que dá pra reduzir as emissões, é claro que dá para fazer algo rumo à um desenvolvimento sustentável, somente não é prioridade!
Como ele disse... o pior é que.. os mais afetados com o aquecimento global serão os mais pobres.
Ah... uma observação, ele utiliza MindMaps nas suas apresentações!!! legal :)
Outras pérolas:
* Agir hoje para tornar o desenvolvimento + sustentável --> 1 passo de cada vez!
... parece algo bem simples, mas que muitas pessoas encontram grande dificuldade de implementar, as vezes quer as condições perfeitas, ou agrupar ações, enfim sempre buscamos "complexar"... ao invés de simplificar! - atitudes humanas!
* "Estamos" excessivamente preocupados com a prosperidade econômica!, eis uma verdade!
Outro assunto que ele discorreu, foi a questão do Capital Social, onde ele classifica como a "cola que une as pessoas"! Para elucidar o que ele queria dizer sobre isso, vou comentar alguns exemplos que ele deu:
Comentou sobre a diferença das catástrofes ambientais que acometeram o Sri Lanka e Nova Orleans, dizendo que a maneira que estes povos se recuperaram em diversos aspectos (emocionalmente, espiritualmente, cognitivamente, etc e tals...) está totalmente relacionado ao capital social, dizendo que o Sri Lanka se recuperou muito mais rápido do que Nova Orleans, pois possuem esta cola!
Disse ainda que o Brasil possui esta cola, que é o que muitas vezes chamamos de calor humano, de acolher as pessoas... certamente isso faz diferença!

Bom!!!, agora com a palavra... Senadora Marina Silva (eu sou fã dessa mulher!)
Deixando minha admiração de lado (tentando deixar...), é incrível como Marina Silva consegue inflamar todos em seu discurso, ótima retórica, inteligência sagaz e militante da gema!, em cada pauta que ela concluía, só se ouvia aplausos, assovios e ao fim do debate todos levantaram com sorrisos largos para saudá-la!
Mas Marina iniciou o debate defendendo a proteção das culturas indígenas, comentando que a crise ambiental é vista com muita simplicidade por muitos, não é só floresta, animais... é sistema, são culturas e culturas indígenas que vivem destes sistemas, e que infelizmente, junto com as florestas, estamos dizimando nações indígenas inteiras (como se isso já fosse prática nossa que vigora já há um tempo!).
Disse com emoção que temos mais de 200 povos indígenas que falam mais de 200 línguas diferentes, comentando do quanto já perdemos e continuamos a perder em conhecimento em apoderamento cultural se pudéssemos manter essas culturas vivas. Falou ainda, "imaginem se os povos Incas, Maias ainda vivessem aqui, nos dias de hoje, se pudéssemos aprender com eles, quanto isso nos auxiliaria no crescimento pessoal, espiritual, cultural?
E o que essas centenas de tribos hoje ameaçadas pelo nosso consumo insano não tem para somar nisso tudo?, mas se nós de fato extinguirmos essas nações, nossos filhos, nossos netos não irão dizer isso que hoje nós pensamos sobre as nações antigas?..., dizendo o quão bom seria se essas tribos ainda existissem?"
"Precisamos aprender a acolher as diferenças!"
Não temos a dimensão do quanto podemos aprender com um convívio pacífico, harmonioso, equilibrado.. e podemos (e já perdemos) perder muito com isso!
Ela também falou das dimensões da sustentabilidade, que comumente se divide em 4 dimensões:
* Dimensão de Sustentabilidade Econômica
* Dimensão de Sustentabilidade Social
* Dimensão de Sustentabilidade Ambiental
* Dimensão de Sustentabilidade Política

Mas ela diz que pra ela faltam outras três e acrescenta:
* Dimensão de Sustentabilidade Estética
* Dimensão de Sustentabilidade Cultural
* Dimensão de Sustentabilidade Ética
- essa, orientadora de todas as outras!
Diz ainda que precisamos criar Líderes multicêntricos para processos multicêntricos, que devemos substituir o fazer para as pessoas pelo fazer com as pessoas!, e que devemos ter um compromisso (essa é para todos, mas em especial para os líderes políticos que fazem de suas administrações um mandato de desenvolvimento do ego!) com a criação de plataformas duradouras!

Sabe que após eu participar de algumas falas presenciais da Senadora, eu pensei (já havia pensado isso outras tantas vezes, mas desta vez com mais exame)... bem que ela poderia ser a nova Presidente do Brasil!, não a Dilma, que se deixar vende a mãe junto com a floresta pra arrecadar mais $ e crescer!!!, me surpreendi essa semana com essa campanha "Marina Silva Presidente" - aderi!

Neste Fórum houveram outros participantes, dos quais eu não comentei aki, porém houveram discursos bastante importantes e calorosos, mas decidi blogar aquilo que tocou dentro, tocou fundo em mim!
Para quem não esteve por lá, uma sucinta, mas bem sucinta idéia do que aconteceu por lá - do meu ponto de vista, é claro!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Impressões do ll Fórum Internacional de Sustentabilidade e Comunicação

Aconteceu nos dias 6 e 7 deste mês um encontro de alguns nomes importantes nas discussões acerca de sustentabilidade ambiental.
Estive por lá e minha percepção foi a de que os movimentos para a sustentabilidade estão de fato crescendo e tomando proporções importantes, no quesito práticas ainda tímido porém, é uma tendência.
Como disse a Senadora Marina Silva, estamos participando de um momento histórico para a humanidade e a estrada na qual nos encontramos chegou a um ponto de bifurcação, onde temos que fazer uma escolha, qual caminho seguir?... uma trilha?, um atalho?, qual sentido devemos tomar para contribuir ou não com nossa existência no planeta, pois para quem pensa que a crise ambiental global é um problema para as florestas, animais e tals está muito enganado, talvez nem saiba o quanto...
Houveram participações infelizes neste fórum também, é claro... (evidente que este é o meu ponto de vista!) mas foi importante ver as diferenças, refletir sobre elas.
Mas este não é o principal motivo deste post..., e sim teclar "positivo", dentro das possibilidades!!!
O que quero registrar aqui, são impressões, memórias de falas que me foram especiais, de pessoas especiais; evidente que a emoção, o sentimento vivenciado é impossível eu conseguir expressar em palavras, mas vai aqui uma tentativa de registrar na memória da web!

O primeiro palestrante foi o intelectual colombiano Bernardo Toro, conhecido como um inovador em análises e reflexões sobre a educação na América Latina entre outras coisas mais...
Dentre tantas coisas ditas e não anotadas... argh! eu registrei isso:
* Somente o silêncio dá existência à palavra, e é com ela que criamos mundos!
--> isso foi nada mais, nada menos, uma frase um tanto expansora de consciência! - para mim, é claro!
Quando falava sobre o aquecimento global, destacou a questão da solidariedade, da hospitalidade que serão tão necessárias num futuro próximo, concluindo que:
* "o aquecimento global irá mover um grande número de pessoas; haverá muitas emigrações e a hospitalidade dos povos é o que pode fazer a diferença nestes tempos!
... de fato, foi algo em que "eu" ainda não havia refletido... daí pensei, nossa! é mesmo real isso, catástrofes ambientais = emigrações, se os países tiverem uma postura egoísta, muitos povos estarão numa situação bem crítica, de abandono.... como já é em alguns lugares com relação a crise da água que assola mundos afora (adentro)...

A segunda pessoa a falar, nada menos que Danah Hohar, física e filósofa do MIT, pós graduada em filosofia e religião na Harvard University, professora do Programa de Liderança Estratégica na Universidade de Oxford.
Dentre tantas e tantos comentários, discussões.. disse:
- As crises sempre trazem possibilidades, pois nos obriga a agir!
Nada de extraordinário e algo que já não tivesse ouvido antes, a questão da frase era o momento e o contexto, como emoção não se registra, se sente... essa frase fica comigo! rsrs
De novo... Danah compartilha de 12 princípios de inteligência espiritual que vou postar aki:

1º Uso positivo da diversidade (sair do fatalismo, da vitimização);

2º Autoconhecimento (oq. me faz sair da cama?, quem eu sou?, porque sou?, o que quero e porquê?);

3º Humildade (somos a espécie mais arrogante da existência!) --> mas no meu ponto de vista de cientista - talvez arrogante rsrsrrsrrsrs - somos a única espécie capaz de ser arrogante...;

4º Compaixão (sentir com as pessoas, --> "necessário muito cuidado nisso, pois há pessoas que não estão preparadas pra isso... visão pessoal", sentir com um) - eu carrego comigo a evolução das estrelas, de todas as existências... < acho que já ouvi isso em algum lugar :) - algo como: a informação do micro está no macro e a informação que está no macro, encontro no micro...>);

5º Servir, comprometimento (fidelidade, excelência);

6º Espontaneidade (viver agora, deixar a bobagem de lado --> "essa foi ótima", ir de forma nova para cada relacionamento!);

7º Holístico (não há gaps, a forma que vc. vive vai influenciar a minha vida --> "também acho que já ouvi algo bem parecido, tipo... impossível tocar uma rosa sem mover uma estrela!");

8º Perguntar profundamente (pq devo fazer?, pq tem esse resultado?, pq?, pq vc. acha que sabe mais que eu?, seja subversivo!) - segundo Danah... perguntas são infinitas, respostas são finitas!;

9º Reformular, mudar paradigmas! (posso ver isso de uma perspectiva diferente?);

10º Habilidade de ir contra a população "massa" (não ser "maria-vai-com-as-outras --> "o mundo está cheio disso"), lutar pelos próprios princípios, não ter medo de ser "impopular"!;

11º Celebração da diversidade (graças a Deus que vc. é diferente de mim, que me questiona, faz pensar!);

12º Sentido de vocação - propósito!

O terceiro e não menos caloroso a falar foi Ferréz - autor dos livros "Capão Pecado", "Manual Prático do Ódio" e "Fortaleza da Desilusão", nascido e criado no Capão Redondo, ligado ao movimento hip hop, fundou a marca 1DASUL - marca própria de roupa produzida no bairro.

Tantas foram as falas que marcaram esse discurso, mas foi uma pergunta que me fez pensar... quem foram os grandes escritores da sua vida?, quem foi que vc. leu, que mudou o curso da história?, me fez pensar, e rapidamente anotei, recordei e aqui vou registrar:
* Noam Chomsky;
* Aldous Huxley;
* Fritjof Capra;
* Depak Chopra;
* Paulo Freire.
... estes foram os nomes que me surgiram em milésimos de segundos, existem outros importantes, mas estes foram, são!, fundamentais!!!

voltando à Ferréz... disse sobre sua revolução do pensamento pela indignação e como utilizou esse modo de visão para atuar em várias frentes, da escrita à ação social!

Bom... por hoje é só... senão fica muito extenso... quer dizer... já éh!
amanhã continua!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"Xixi no banho!!!"

Campanha muito interessante sobre pequenos atos de grande valor!
Dê um click no título e confira!, ah... e divirta-se com a animação!!!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Google Verde!

Uma das notícias mais cômicas e ao mesmo tempo séria que ví nos últimos tempos!!!
O google anunciou a contratação de 200 caprinos, para aparar a grama da sede da empresa em Mountain View, Califórnia (EUA).
A alternativa está sendo implementada para substituir os barulhentos cortadores de grama, que além disso "gastam combustível e poluem o ar", diz o comunicado.
Há um cachorro da raça border collie que faz o trabalho de monitoramento dos bodes e cabras, garantindo que o "trabalho seja feito".
* Os animais são da California Grazing, uma organização que defende essa prática ecológica e tem cerca de 800 bodes.