Mostrando postagens com marcador permacultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador permacultura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um pouco sobre o paisagismo de Santo André

Há tempos tenho pensado em postar algumas coisas das quais me orgulho de ter participado e que hoje em dia me entristece olhar e constatar os rumos tomados...
Em setembro de 2008, escrevi aqui sobre a importância dos fragmentos florestais e citei um dos aspectos contemplados no paisagismo da cidade de Santo André, o post tá aqui!
O que me fez sair do plano das idéias para o mundo das ações no caso específico deste texto foi um micro post que fiz hoje no facebook: ¨Caminhando por pontos altos de minha cidade, subindo viadutos e passarelas num bonito fim do dia pensei, o quanto é privilegiada a vista por cima da copa das árvores, ainda mais quando a diversidade está contemplada! Dá para entender a alegria dos passarinhos que sobrevivem na floresta cinza....¨
Daí, pensei então: Já chega de adiar esse desabafo né!?, bora ampliar este post... aqui estou!
Então para contextualizar o dito acima, precisamos retornar ao ano de 2002... onde eu e mais uma galera boa (boa parte de estudantes e pesquisadores do Instituto de Botânica de SP e outras importantes instituições de pesquisa e ensino) fomos selecionados para um projeto chamado ¨Tudo em Volta¨, da cidade de Santo André, que visava dentre vários objetivos, conectar a educação do munícipio com as mudanças paisagísticas e ecológicas da região, uma parceria entre a Secretaria de Serviços Municipais (mais precisamente o DEPAVE - Departamento de Parques e Áreas Verdes) e a Secretaria da Educação.
O projeto funcionava como sistema e vou tentar explicar abaixo:
1.Conexão com outro projeto genial, chamado ¨Santo André Cidade Botânica¨ - a idéia principal era ao invés da cidade possuir um jardim botânico, a cidade ser o jardim! Para isso, uma grande equipe de engenheiros agrônomos, civis, arquitetos, técnicos de várias áreas e os jardineiros trabalhavam como uma grande equipe coesa para a implementação da idéia, era fácil observar a paixão da maioria no fazer de tudo isso...
- Santo André tem um viveiro municipal, muito bem localizado (por questões ambientais mesmo) e que tinha (não sei como está hoje em dia..) um estrutura de produção de espécies interessante!
Lá eram feitas as reproduções das plantas de médio e grande porte para a cidade, o melhor? - grande parte da produção era de árvores nativas de mata atlântica que minimamente teriam e tem a nobre função de alimentar algum ser vivo que insiste em sobreviver por estas bandas... pássaros, morcegos, insetos e outros... Neste espaço experimentar era possível e apoiado, muitas plantas foram produzidas pela curiosidade de alguns agronômos que recolhiam sementes florestais de mata atlântica e estudavam sua germinação, produção em escala e quando tudo dava certo -> cidade!
- Outro fator muito importante que foi considerado foi a organicidade e funcionalidade das formas dos espaços, trocando em ¨miúdos¨... locais como canteiros, praças, morros, parques, calçadas, quando desenhados os croquis da intervenção, os técnicos e especialistas do assunto consideravam a topografia como elemento funcional para a absorção das águas das chuvas, pois se você pegar um terreno e terraplanar, com bem pouca chuva terás um charco, afinal a água não tem para onde escorrer, quando este satura, encharca e ainda o peso da água ajuda a compactar o solo... furada! Porém, se o terreno é cheio de ondas, curvas, morrinhos e tals... você ¨obriga¨ a água passear pelo solo, que encontram naturalmente os canais de infiltração e no máximo terás alguns pequenos pontos de alagamento se a chuva for bem forte.
- Um ponto interessante desta concepção era o de ¨ajudar¨ os moradores da cidade à se integrarem a este ambiente, sendo assim as calçadas, praças e canteiros tinham seus caminhos traçados no meio da vegetação, ao contrário do que se vê nas cidades (os caminhos sempre estão nas regiões periféricas - do lado de fora da praça, canteiro e tals...) assim, acabamos nos habituando em andar nas ruas olhando para carros e prédios; no caso desta mudança, os caminhos que as pessoas precisavam trilhar era cercado de plantas ornamentais (com flores de variadas cores, formas, cheiros, funções) e frutíferas de ambos os lados (quando tinham os lados...). Tudo em Volta, de novo... Quanto as herbáceas (aquelas plantinhas pequeninas que podemos utilizar para forrar o solo, e algumas podemos até chamar de forrageiras), sua produção era feita nas próprias praças, afinal uma característica importante deste tipo de planta é a capacidade de ¨forrar¨ o solo, portanto em um curto período de tempo, o solo da praça era tomado por tais plantas e aos poucos adensavam; chegavam os jardineiros, retiravam uma parte daquelas plantas e as plantavam em outra praça, calçada e etc... as que ficavam, rapidamente cobriam a clareira formada e assim as praças se tornaram viveiros funcionais na cidade (e não dá pra dizer que é um projeto permacultural?).
- Os jardineiros, antes conhecidos como frente de trabalho, ganharam mais uma qualificação, aprenderam a cuidar de jardins, tornaram-se jardineiros - fundamentais na execução e manutenção do projeto (o que aconteceu à eles agora?) Soube de alguns que já tinham carta livre para desenhar algumas praças com total confiança de seus supervisores, bravo!

2. Transformação arquitetônica e paisagística das escolas da rede municipal - O ¨Tudo em Volta¨ era um projeto de sentido de palavra... uma das ações aplicadas nas escolas era a pintura geral da escola utilizando cores, muitas cores, de maneira harmônica e alegre, os espaços ganhavam vida! Outra implementação era a derrubada de muros, ou parte deles para a colocação de alambrados que proporcionavam limite ao espaço escolar, porém sem a idéia de fortaleza, local não bem vindo de qualquer indivíduo não escolar.. a idéia? Integrar a escola ao ambiente inteiro e integrar o ambiente à escola (Tudo em Volta começa a fazer sentido, não?!). As escolas eram reformuladas paisagisticamente, onde plantas que estavam sendo introduzidas nos espaços da cidade (praças, canteiros, parques, calçadas) também entravam nos espaços da escola, além da construção de coleções botânicas na própria escola, onde os professores que interagiam com o projeto (via Secretaria da Educação) assumiam tais espaços como recursos didáticos em seus projetos, disso nasceram mini orquidários, hortas, terrários, eleição de árvore símbolo da escola (tal árvore de fato existia na escola) entre outras coisas...

3. Parque Escola - local onde tive meu primeiro contato prático com a permacultura, porém não se utilizava este nome, pelo menos pelo doidão que eu tomo a liberdade de nomear como grande cabeça desta história toda, um Arquiteto Paisagista que facilmente atribuo como Metarecicleiro, Permacultor e Botânico, pelo menos... sem dizer que era doidão mesmo, no bom sentido é claro! A experiência de trabalho com ele, para a maioria dos que viveram este momento (daquela galera boa da qual falei acima) foi genial e certamente inesquecível. O Parque Escola foi recriado por este figura com base em reaproveitamento de materiais locais de todos os tipos (troncos de árvores mortas, vidros de ônibus velhos, containers da construção civil, calhas do tamanduateí, paralelepipidos (retirados das ruas da cidade para o asfaltamento), madeiras, telhas, calhas... foram tantos, tantos materiais que não caberia nomear todos, mas não poderia esquecer de um grande alambique que ganhou função de armazenagem de água da chuva! Com tudo isso em mãos vários espaços interessantíssimos foram construídos num desenho orgânico, sistêmico e belo!
- Citando uns espaços (obs. no caso abaixo, toda palavra que acabar com ¨ário¨ quer dizer coleção): Bromeliário, Orquidário, Insetivorário (mais conhecido com carnivorário, ou plantas carnívoras), Cactário e Suculentário, Horta Orgânica, Horto de Medicinais, Bosque, Biblioteca, Espaço Multi-Uso (oficinas de arte), Carpoteca, Estufa, Auditório, Esporo Metareciclagem.
Este espaço concentrava os multi profissionais, afinal dividia espaço com o DEPAVE, então a troca e a aprendizagem era fator intrínseco no nosso dia a dia, aliás os educadores (biólogos em sua grande maioria) sempre estavam envolvidos nos trabalhos de campo dos agrônomos e jardineiros de alguma maneira, fosse identificando espécies, fosse dando aulas de jardinagem para a comunidade (as práticas sempre eram plantar algum jardim da cidade!), coletando amostras de bromélias para controle de dados da dengue, enfim trabalho à fazer na cidade nunca faltava e essa miscelânia de projetos, objetivos e profissionais davam um gosto mais que especial ao ¨Tudo em Volta¨.

Foto do Cactário - Fonte: Marcus Corradini - http://marcuscorradini.blogspot.com/2008_07_01_archive.html

- Um dos focos do Parque Escola no Projeto Tudo em Volta era o de receber as escolas (principalmente da rede municipal, que estava inserida no contexto integral do projeto) para o que chamávamos de ¨Aula Passeio¨. Nestes encontros, os educadores ambientais desenvolviam coletivamente com os alunos uma busca por um olhar mais apurado para o que estava acontecendo na cidade, a importância disso, a correlação com a questão ambiental, enfim trabalhávamos com a leitura da paisagem em suas diversas facetas e metodologias para integrar as crianças (na sua maioria) à Tudo em Volta, vislumbrando com isso uma ¨sensibilização¨ pelos moradores da cidade e de outras também é claro!

Fatos, dados, idéias fantásticas destes projetos certamente eu não citei, para isso teria que me dar ao prazer de escrever um livro sobre a história, pena ter tão pouco registro dessa história! Isso é apenas um resumo do resumo do resumo...

Possivelmente alguns leitores deste post irá perguntar: Tá, tudo isso, mas onde entra a reflexão de hoje, em cima de um viaduto contemplando copas de árvores, onde está o manifesto?! rsrsrsr

O que acontece é que em algum ponto, onde o essencial, necessário, útil, dá lugar ao imediatismo ou para ser mais precisa, à política do ego!
Foi só mudar a administração da cidade, para ver o Tudo em Volta ir por água a baixo...
Todo o esforço dos jardineiros (frente de trabalho, arquitetos, biólogos, agrônomos, engenheiros) tem sido arrancado dos espaços verdes para a substituição das gramas da empresas terceirizadas...

A fauna que retornou à Santo André pela diversidade verde antes criada, vai ter que procurar outro lugar para alimentar-se...
Coisas absurdas, como corte (sem nenhuma razão) de plantas de médio e grande porte pela metade, deixando um aspecto de abandono, feiura... sem dizer que as plantas que antes existiam, imitavam o aspecto visual da nossa flora brasileira (alguém já viu algo parecido em nossos ecossistemas com as praças gramadas com árvores distantes umas das outras?).
As forrageiras tinham outras funções que a grama não pode agregar, sendo uma delas a de esconder a sujeira da cidade, na época em que estes espaços existiam, pouco se via de lixo, as plantas as escondiam (o efeito de local limpo, favorece a limpeza - vide Curitiba e metrôs), agora com a grama aparadinha... muito lixo a vista!
Também ocorria que estas forrageiras (de espécies diferentes) faziam uma recomposição de alguns nutrientes no solo, quando suas folhas secavam e se agregavam ao solo...
A grama aparada e posteriormente ¨varrida¨, não pode nutrir a terra...

E porque tudo isso? Porque nós, moradores deste local não fomos ouvidos? Porque não quiseram saber o que pensávamos sobre o verde da cidade? Se nos apropriamos à ele ou não?, afinal na época do projeto, muito se ouvia da comunidade coisas como: a cidade tá mais verde, a cidade tá mais bonita, mas não sei porque....
Pessoas se manifestando contra essa ignorância municipal coletiva, tem! ah sim
Mas continuamos não sendo ouvidos, ouvidos?, quem ouve?

Eu ouço os passarinhos, que dia após dia, reunem-se em assembléia em copas de árvores floridas de Santa Terezinha para comunicar a vida e me inspirar para quem sabe um dia discorrer alegrias!

Depois do micro post do facebook, um macro post por aqui, finalizo deixando um link com uma sátira mais que inteligente sobre árvores voadoras, que veio muito a calhar com a inspiração causada pela observação das copas dar árvores...

http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/clima/o-ataque-das-arvores-voadoras/

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O homem que cultivava água!

Este post foi copiado na íntegra com a permissão do blog "Tudo sobre plantas"
E não foi a toa que optei por colocá-lo integralmente aqui, basta ler para entender, trata-se de uma história linda de amor, conexão e observação dos padrões da Natureza!
Em brincadeira com uma amiga, também permacultora... eu disse: "O Bill Mollison deve ter feito o curso de permacultura com ele...rsrsrsr" - Ela então caiu na gargalhada e concordou!!
Então, fica o convite para saborear a história:

"Viajando pelo sul da África neste verão (1995) ouvi falar de um homem que cultivava a Água.

Parti à procura sem idéia clara do meu rumo. Me encontrei num ônibus folclórico abarrotado atravessando ruidosamente o interior do sul de Zimbabwe a uns 30 km por hora.

A paisagem era bela: colinas suaves de capim amarelo em terra vermelha, com moitas de arvores retorcidas, às vezes em forma de guarda-chuva. Cochilei até, nove horas depois, chegarmos na região mais seca de Zimbabwe.

Do topo da colina de vegetação semidesértica avistamos uma campina imensa de colinas onduladas cobertas de capim seco e afloramentos de granito; poucas árvores. Lembrei da campina aberta do sudoeste de Arizona. De fato, tudo era coroado por um céu azul límpido como aqueles que do sudoeste árido dos EUA. O ônibus adentrou vagarosamente a capina seca e parou no lugarejo de Zvishavane. Aqui mora o cultivador de água.

Enquanto o sol se punha, procurei um lugar para estender o saco de dormir, e adormeci. Na manha seguinte, peguei carona com a diretora do CARE Internacional. Ela me levou a uma fila de casas térreas. Uma destas era o escritório simples do Projeto de Recursos de água de Zvishavane (Zvishavane Water Resources Project (ZWRP). Lá, na varanda, estava sentado o cultivador de água, lendo a Bíblia.

Na minha chegada ele se levantou com um sorriso enorme e saudações cordiais. Aqui, finalmente, estava Sr. Zephania Phiri Maseko. Ao descobrir a distância que eu percorrera, ele desatou a rir maravilhosamente. Me contou que ultimamente chegam visitantes de todos os pontos do globo, quase diariamente. Mesmo assim, cada um é uma surpresa.

No jipe atravessamos a solavancos as estradas de terra erodidas rumo ao seu sítio, enquanto Sr. Phiri falava, ria, e gesticulava, contando infindáveis analogias e histórias poéticas. A melhor de todas é a dele.

Em 1964 foi dispensado do seu emprego na ferrovia por estar politicamente ativo contra o governo branco rodesiano. O governo alertou que nunca mais trabalharia em nenhuma função. Tendo que sustentar uma família de oito, Sr. Phiri recorreu as duas coisas que tinha: uma propriedade familiar de 3 hectares, e a Bíblia.

Ele não usa a Bíblia somente como guia espiritual - usa como manual de jardinagem. Ao ler a Gênese, viu que tudo de que Adão e Eva precisavam era suprido pelo jardim de Éden. ” Assim”, pensou, “preciso criar meu próprio Jardim de Éden”. Mas se deu conta que Adão e Eva tinham os rios Tigres e Euphrates na sua região. Não tinha nem sequer um riacho intermitente. “Então,” pensou Sr. Phiri, “preciso também criar meus próprios rios. ” Ele fez ambos.

O seu sítio fica nas encostas de uma colina, voltado p/ N-NE (lembrando que este é o hemisfério sul). No topo da colina há um afloramento grande de granito onde a água das enxurradas escorre livremente. A precipitação anual media é de 570 mm ( um pouco acima de 22 polegadas), mas como ele, aponta, é uma média baseada em extremos. Muitos anos são de seca, quando a terra tem sorte se recebe 12 polegadas ( 270 mm) de chuva.

No começo era muito difícil desenvolver as culturas, muito menos lucrar delas, devido às secas freqüentes e falta total de equipamento ou capital para irrigar a partir do lençol freático.

Ele dedicou tempo observando o que acontecia quando de fato chovia. Em pequenas depressões e no lado superior das rochas e das plantas, a umidade do solo durava mais do que em áreas onde a água escoava livremente. Assim começou a auto-educação e o trabalho de coleta de água de chuva. Ao longo de 30 anos Sr. Phiri criou um sistema sustentável que preenche todas as suas necessidades em água, só com a chuva.

“Tem que começar a captação no alto, e sarar as voçorocas jovens antes das velhas e profundas rio abaixo,” diz Sr. Phiri. Começando no topo da divisória de águas ele construiu muros de pedra seca aleatoriamente mas nas linhas de contorno. Tendo funções similares aos gaviões [cestas quadradas de arame preenchidas de rochas utilizadas para captar água e sedimentos em grandes vossorocas, NT ] , estes muros diminuem a velocidade do fluxo de água de tempestades , que atravessa lentamente os espaços entre as pedras. Assim amansa-se o fluxo de água saindo da redoma do afloramento de granito, direcionando-a para reservatórios permeáveis, que, como tudo na propriedade, foram construídas com ferramentas de mão e o suor de Sr. Phiri e suas duas esposas.

O maior dos dois reservatórios ele chama o seu centro de imigração. “É aqui que dou as boas-vindas para a água em minha propriedade e depois a direciono para onde residirá no solo” , ele explica, rindo. “O solo,” explica, “é como uma lata. A lata precisa segurar toda a água. Vossorocas e erosão são como buracos na lata que permitem que a água e a matéria orgânica escapem. Estes precisam ser tapados.” O ” centro de imigração” serve também de medidor de chuva, porque sabe que se encher três vezes durante uma estação, infiltrou chuva suficiente ate o lençol freático para durar dois anos.

O reservatório menor direciona a água via uma manilha para uma cisterna livre de ferro-cimento que alimenta o quintal durante as secas. Tem outra cisterna de ferro-cimento, sombreada por um pé de maracujá luxuriante, que capta a água do telhado. Alem destas duas cisternas , todas as estruturas de captação de água na propriedade visam infiltrar a água no solo o mais rápido possível.

Perto da casa ha uma pia externa onde as águas servidas escoam para uma cisterna subterrânea, forrada de pedras secas, onde a água rapidamente se infiltra. Do topo da divisória de águas ate o fundo existem varias estruturas para a captação de água como represas de retenção, gaviões, terraços, valas de infiltração (”swales”), e “covas de fruição”.

O governo colocou valas de escoamento na região toda muitos anos atrás, mas feitas fora das linhas de contorno, para acabar com a erosão em laminas, levando a água das tempestades para um dreno central. O problema de erosão resolveu-se, mas as terras acabaram sendo roubadas da sua água. Assim, Sr. Phiri cavou grandes “covas de fruição” de 10x6x4 pés no fundo de todas as suas valas. Quando chove, a água enche a primeira cova e o excedente enche o seguinte, continuando assim até os limites da propriedade. Muito depois do fim da chuva, a água continua nas covas, infiltrando no solo.

Em volta das covas capins grosseiros são cultivados para controle de erosão, para cobertura das casas, e venda. Muitas árvores frutíferas vigorosas foram plantadas por Sr. Phiri ao longo dessas valas para fornecer alimentos, sombra, e quebra-ventos. São alimentadas estritamente pelas chuvas e o lençol freático, que vai se aproximando da superfície.

Como Mr. Phiri explica: “Cavo valas e covas de fruição para plantar a água para que possa germinar em outro lugar.” ” Ensinei o meu sistema às árvores,” continua. “Elas entendem-no e à minha linguagem. As coloco aqui e digo ‘Olha, a água esta aqui. Vão a procura.” Nenhuma bacia nem divisória para segurar ou negar a água é colocada em volta delas; as raízes são encorajadas a se esticarem e encontrar a água.

Uma mistura diversa de culturas não híbridas como abóbora, milho, pimenta, beringela, taboa para cestas, tomate, alface, espinafre, ervilha, alho, feijão, maracujá, manga, goiaba, e mamão, juntamente com arvores nativas como matobve, muchakata, munyii, e mutamba são plantadas entre as valas.

Esta diversidade oferece segurança alimentar porque na falha de alguma cultura devido a seca, doença, ou praga, outras sobreviverão. A utilização de culturas não híbridas garante que Mr. Phiri possa colecionar, selecionar, e utilizar as suas próprias sementes de um ano para outro.

Ha uma abundância de plantas fixadoras de nitrogênio. Guandu é um exemplo, e serve também para forragem e cobertura morta. Sr. Phiri percebeu que solos fertilizados quimicamente não infiltram nem seguram água muito bem. Como diz: “Você aplica o fertilizante um ano, e não no ano seguinte, as plantas morrem. Você aplica esterco e plantas fixadoras de nitrogênio uma vez, e as plantas continuam a prosperar vários anos em seguida. Solo fertilizado quimicamente é amargo.”

Os alimentos e as frutas que Mr. Phiri produz estão longe de serem amargos. Ele tem sido generoso na sua abundância, dando mudas de arvores para quem quisesse. Infelizmente, como ele mesmo aponta, a maioria das arvores que ele doa morrem se não foram implementadas as técnicas de coleta de água antes do plantio. Ele propaga as arvores em sacos velhos de arroz e grãos perto de um dos poços a céu aberto no fundo da propriedade.

Ele descreve os poços com outra analogia: “A água é como o sangue — é sempre atraída à ferida. As vossorocas são feridas. O sangue vai até a ferida para saná-la. Se faz com gaviões e valas de infiltração onde a vossoroca se enche de solo fértil.” Com este conhecimento Mr. Phiri cavou três poços no fundo da sua propriedade sabendo que a água coletada no seu terreno se infiltraria no solo e acharia seu caminho até as feridas no fundo da propriedade.

O solo é sua bacia de captação. No tempo da seca, os poços dos vizinhos secam (mesmo os mais profundos do que os dele) mesmo assim os seus poços sempre contêm água “em que posso mergulhar os dedos”, porque ele repõe de longe mais água dentro do seu solo. Com a exceção de um poço que é forrado e munido de uma bomba manual para água de uso doméstico, os outros são forrados com pedras secas. “Estes poços” ele explica, “são aqueles do homem generoso. A água vem e vai como quiser, porque , como você vê, no meu terreno ela se encontra em todo lugar.”

Em tempos de seca severa, Sr. Phiri tira água destes poços para irrigar culturas anuais nos campos vizinhos. Ele utiliza uma bomba conhecida como Shaduf Egipcio, que não passa de uma bomba manual que utiliza um pneu velho de trator para bombear a água. Uma manivela abre e fecha a bexiga (o pneu) como um acordeão, criando a sucção necessária.

Um brejo natural luxuriante se encontra abaixo dos poços no ponto mais baixo da propriedade. Aqui Sr. Phiri pratica piscicultura em três reservatórios. Conforme os dois menores vão secando, os peixes são coletados ou realocados ao grande.

É aqui onde Sr. Phiri instalou uma plantação densa de bananeiras! Terras secas de todo lado, mas na sua propriedade uma floresta de bananeiras! Cana de açúcar, taboa, e capins como capim elefante também são plantadas nos embancamentos para segurar o solo.

O gado se beneficia desta vegetação densa, plantadas para filtrar a água antes que entre no reservatório. Esta forragem nobre é reservada para as vacas prenhas. No começo Sr. Phiri teve de ir a três audiências por violar as leis que proíbem cultivo no brejo. Eram leis do tempo colonial. Finalmente, na terceira audiência, ele conseguiu convencer o juiz a visitar a sua propriedade. Ao ver o trabalho feito, o juiz arquivou a denúncia na hora.

No solo deste sítio fluem os rios “Tigris e Euphrates”; os reservatórios são o local onde afloram. O ciclo do Jardim do Éden do Sr. .Phiri, que começa a ser percebido depois de 30 anos obscuros e às vezes de desprezo, continua a crescer. Das últimas três décadas ele diz: “Claro, é um processo lento, mas é a VIDA. Lentamente implemente os projetos, e conforme a sua vida comece a rimar com a Natureza, logo outras vidas começam a rimar com a sua.”

Em conjunto com a ONG que criou, O Projeto Zvishavane de Recursos Hidricos ele espalha suas técnicas. Influenciou a CARE Internacional na sua região ao ponto que, em vez de distribuir alimentos, eles agora implementam os seus métodos para que as pessoas possam plantar seus próprios alimentos.

Ele tem visitado escolas onde os professores estavam em greve devido à falta d’água e às condições difíceis em sala de aula empoeiradas e sacudidas pelos ventos. Ele ensinou os professores e estudantes a colher a água da chuva, e juntos transformaram as escolas em jardins luxuriantes, eliminando o motivo de greve. “Lembre que as crianças são as nossas flores, “diz Sr. Phiri, “dê-lhes água, que crescem e dão flor.”"

O projeto de Mr. Phiri trabalha localmente (uma grande razão do sucesso) . Mesmo assim o Projeto sempre precisa de fundos. Se você gostaria de ajudar, escreva ao Sr. Zephania Phiri Maseko:

Zepheniah Phiri
The Zvishavane Water Project
P.O. Box 118
Zvishavane, Zimbabwe
Phone: 263 51 3250

segunda-feira, 6 de julho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Eventos e cursos de boa qualidade!!!

Semana do Meio Ambiente no SESC Ipiranga

Show Bambuzais. Um trabalho contemporâneo de integração de música, lutheria, artes plásticas, resultado de uma pesquisa que remete à descoberta de novas sonoridades, plasticidades e estética. Nas composições, são utilizados instrumentos de sopros, cordas, percussão e esculturas sonoras, criados e construídos com matéria – prima orgânica como bambu, cabaça, madeira, pedra, argila e matérias sintéticas como plástico, vidro, pedra, papel, metal e sucatas. O resultado musical é a fusão de diferentes e novos timbres e a harmonia entre a matéria prima e o refinamento sonoro, o que possibilita, englobar elementos musicais de diferentes etnias e estéticas. Com o músico e luthier Fernando Sardo e grupo. Dia 03, quarta às 21h, no Teatro. Grátis.

Esculturas Sonoras. Mostra de Instrumentos e esculturas musicais criados pelo músico e luthier Fernando Sardo. Instrumentos de sopros, cordas, percussão e esculturas sonoras, criados e construídos com matéria – prima orgânica como bambu, cabaça. Dia 04/06, quinta às 20h Hall de entrada do Teatro. Grátis.

Casa Orgânica. Palestra para sensibilizar o público para a degradação ambiental que o planeta vem sofrendo pela ação humana, trazendo algumas idéias e dicas de atitudes simples que podem ser realizadas em nossa casa minimizar esse situação, como a substituir madeira por bambu. Coordenação dos arquitetos e urbanistas, Francisco Lima e Edoardo Aranha. Para o público interessado em geral. Dia 04/06, quinta às 19h. Auditório. Grátis. Retirar ingressos 1 hora antes da atividade na central de atendimento da Unidade. 50 lugares.

Design Ecológico. Exibição do documentário que faz parte da série Educação Ambiental Aviva, mostra o estilo de vida das populações modernas, e as necessidades de produção que isso implica, engenheiros, arquitetos, e designers discutem sobre o futuro da sociedade industrial, e colocam em foco novas tecnologias e práticas que podem permitir o desenvolvimento sustentável do mundo que conhecemos. Duração 60 min. Dia 06, sábado às 14h. Auditório. Retirar ingressos 1 hora antes da atividade na central de atendimento da Unidade. 50 lugares.

Bambu, Artesanato, Ecodesign e Arquitetura. O curso busca divulgar e transferir a tecnologia relacionada ao uso do bambu, no artesanato, design e na arquitetura, compreendendo suas características físicas, mecânicas e botânicas, desde o plantio, o corte, e a familiarização do manuseio do bambu e das ferramentas necessárias à sua transformação em objetos simples aos mais complexos, chegando as suas aplicações na arquitetura. Um curso voltado para o “fazer criativo” com o bambu. Coordenação dos Arquitetos e Urbanistas Francisco Lima e Edoardo Aranha. Para o público interessado em geral acima de 15 anos. 20 vagas. Dia 05, sexta das 17h30 às 21h30 e dia 07, domingo das 9h30 às 17h30. Sala 1. Grátis. Inscrições na Central de Atendimento da Unidade a partir de 23/05.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Convite!

Nos dias 06 e 07 deste mês estarei experenciando as técnicas de produção de um Aquecedor Solar de PET e tijolos de Adobe no SESC Interlagos em uma oficina destinada aos moradores locais e quem mais se interessar!

No sábado ás 9 horas será construído um Painél de Aquecimento Solar com PET. Esta técnica foi elaborada por José Alcino Alano e o manual é disponibilizado gratuitamente na web!
Consiste no uso de materiais descartados como garrafas PET's e caixa de leite Tetra Park, entre outros materiais...
O objetivo é a redução dos gastos com energia elétrica usada para o aquecimento de chuveiro, substituindo parcialmente ou integralmente (vai depender da incidência solar do local/dia) a energia elétrica pela solar.

No domingo ás 9 horas serão construídos os blocos de Adobe.
Os participantes irão conhecer os muitos usos milenares de construções com terra que foram sendo deixados pra trás ao longo do tempo, o objetivo desta oficina é resgatar o conhecimento tradicional como forma de provocar análise dos padrões adquiridos, estimular a criatividade e multiplicar soluções!

Compostagem urbana!



Esse é um maravilhoso exemplo de que dá para tratarmos do nosso lixo orgânico em pequenos espaços!

As imagens acima são de um amigo, mais conhecido como Rafão que conseguiu convencer sua mãe à introduzir a técnica em um apartamento!
Além da importante iniciativa, ele demonstrou criatividade no uso dos materiais como os baldes e a fantástica instalação de uma "torneirinha" para a retirada do chorume!!!
E não acaba por aí... como o Rafael mora em um prédio e a demanda por adubo é muito pequena, sabem o que ele faz como a produção da composteira?
Caminha pelas ruas do entorno em busca de praças, onde ele deposita o adulbo ao redor das plantas!
Parabéns Rafa pela iniciativa e pelo bom exemplo!